top of page

A CORDA DE 81 NÓS

  • há 5 horas
  • 3 min de leitura

BREVIÁRIO MAÇÔNICO DO SÉCULO XXI | O NÚMERO 81


A CORDA DE 81 NÓS
Imagem ilustrativa gerada por IA

Não há como falar no número 81 na Maçonaria brasileira e não pensar na corda de 81 nós. Contudo, o número 81 não se resume a esse símbolo da Maçonaria Simbólica, sendo importante nos Altos Graus do R.E.A.A., aparecendo em diferentes antigas versões dos graus 26 e 29[1]. Também no Rito Moderno, quando da restauração da 5ª Ordem, de 1807, foram selecionados 81 altos graus, divididos em nove séries de nove graus[2]. Assim, talvez não tenha sido por acaso que o Grande Oriente da França, em 1814, deu o prazo de 81 dias para os corpos do Supremo Conselho da França se regularizassem junto ao Grande Oriente[3].

 

Há outras menções maçônicas ao número 81. Como exemplo, havia a crença de que o candidato à iniciação nos antigos mistérios egípcios passava 81 dias de duras provações. Ainda, que, no período em que ainda não havia energia elétrica, as lojas iluminavam o templo com uma quantidade específica de luzes, conforme o tamanho do espaço, sendo 81 a quantidade máxima[4].

 

Já quanto a corda de 81 nós, há uma crença de que é uma invenção brasileira, mais precisamente de Mário Behring. Isso porque não é comum a corda de 81 nós em templos do REAA fora do Brasil. E também porque não há menção a ela nos rituais brasileiros do REAA anteriores ao de Behring, como de 1808 e de 1904.

 

Contudo, em sua obra de 1872 dedicada aos graus simbólicos, “The Porch and the Middle Chamber: The Book of the Lodge”, contendo os rituais dos três graus simbólicos do REAA, Albert Pike menciona que nas paredes do templo de uma loja simbólica do REAA, próximo ao teto, tem uma “corda com nós (la houppe dentelée), com cerca de quinze centímetros de diâmetro, com borlas pendentes em cada canto. Os nós são em número de 81”[5]. E sabemos que, especificamente, essa obra de Pike foi utilizada como referência principal da comissão para elaboração dos novos rituais do REAA, que foram fornecidos às primeiras Grandes Lojas estaduais brasileiras[6].

 

A escolha do 81 para os nós da corda pode ter sido baseado na Grande Constituição de 1762, que previa, no Art. 2º, um total de 81 meses de interstícios do primeiro ao último grau do então Rito de Perfeição[7].

 

O que não se pode considerar são as explicações de alguns autores brasileiros.

 

Da Camino, por exemplo, afirmou que a Corda de 81 nós é um filtro de egrégora, que absorve energias negativas e expele positivas[8]. Se fosse verdade, nunca teria ocorrido uma briga em loja neste país.

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

ISMAIL, Kennyo. Breviário Maçônico do Século XXI. Brasília: No Esquadro, 2025.


Notas de rodapé

[1] RAGON, J. M. Tuileur Général de la Francmaçonnerie ou Manuel de L'Initié Paris: Collignon, 1861.

[2] LEGER, C. Les 81 grades qui fondèrent au siècle des lumières le Rite Français, Paris: Conform edition, 2017.

[3] LANTOINE, A. La Franc-Maçonnerie Ecossaise en France. Paris: Émile Nourry, 1930, p. 298.

[4] CLAVEL, F. T. B. Histoire pittoresque de la Franc-Maçonnerie et des Sociétés Secrètes Anciennes et Modernes. Paris: Pagnerre, 1843.

[5] PIKE, A. The Porch and the Middle Chamber: The Book of the Lodge. Washington: Supreme Council, SJ-USA, 1872, p. 17.

[6] SC33. Astréa News, Ano X, N. 119, Novembro de 2020, p. 10.

[7] PIKE, A. The Constitutions and Regulations of 1762... New York: Masonic Publishing Company, 1872, p. 20.

[8] DA CAMINO, R. Dicionário maçônico. Madras: São Paulo, 2006.

Comentários


bottom of page