QUAL FOI A PRIMEIRA POTÊNCIA MAÇÔNICA DO BRASIL?

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A VERDADEIRA POTÊNCIA PRIMAZ DO BRASIL
Breviário Maçônico do Século XXI
Em resumo, a história contada no meio maçônico brasileiro é mais ou menos assim: Em 1815, nove maçons fundaram no Rio de Janeiro a “Comércio e Artes” Loja Primaz do Brasil. Então, em 1822, a Loja, que já contava com 94 membros, dividiu-se em três para fundar o Grande Oriente do Brasil, Potência Primaz do Brasil.
Na verdade, a primeira loja maçônica brasileira não surgiu no Rio de Janeiro e nem tampouco lá foi o berço da primeira Potência Maçônica. O historiador Borges de Barros mencionou, no Volume XV dos Anais do Arquivo Público da Bahia, a fundação da Loja “Cavaleiros da Luz”, em 14/07/1797, em Salvado[1]. Mesmo com a dissolução dessa primeira loja, a semente maçônica estava plantada em solo baiano: em 1802 surgiu a Loja “Virtude e Razão”, da qual nasceria a “Virtude e Razão Restaurada (1807) e a Loja “Humanidade” (1808); e, em 1813, surgiu a Loja “União”. Em outras partes do Brasil, o mesmo ocorreria, anterior à “Comércio e Artes”, de 1815, como foi o caso das lojas “Reunião”, no Rio de Janeiro (1801), e “Distintiva”, em Niterói (1812)[2].
Então, em 1809, foi fundado em Salvador o “Grande Oriente Brasileiro”, a primeira potência maçônica do país, composta de, pelo menos, 09 Lojas: 03 na Bahia, 04 em Pernambuco e 02 no Rio de Janeiro. Tudo isso, 06 anos antes da fundação da “Comércio e Artes” e 13 anos antes do GOB. Pernambuco, por contar com maior número de Lojas, ganhou, em 1816, uma Grande Loja Provincial filiada a esse Grande Oriente[3].
Alguns dos fundadores do primeiro Grande Oriente Brasileiro incluindo o primeiro Grão-Mestre da Grande Loja Provincial de Pernambuco, Antônio Carlos de Andrada, foram líderes da Revolução Pernambucana, em 1817. Prova maior do papel protagonista da Maçonaria no movimento é a lei régia de 1818, proibindo sociedades secretas no Brasil[4].
Observa-se que, antes de fundada uma loja situacionista, a qual originou a potência que assistiu a independência sob a manutenção do imperialismo no Brasil, houve várias outras lojas e até uma potência oposicionista, sendo que alguns de seus membros morreram ou sofreram duras penas defendendo os princípios maçônicos de liberdade e democracia. A Maçonaria brasileira de hoje tem o dever moral de honrar essa história.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
ISMAIL, Kennyo. Breviário Maçônico do Século XXI. Brasília: No Esquadro, 2025.
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Notas de rodapé
[1] DE BARROS, F. B. Primórdios das Sociedades Secretas na Bahia. In: Annaes do Arquivo Público da Bahia, Vol. XV. Salvador: Imprensa Oficial do Estado da Bahia, 1928.
[2] MAGALHÃES, P. A. I. A Cabala Maçônica do Brasil: o primeiro Grande Oriente Brasileiro. Revista do IAHGP, Recife, n. 70, 2017, p. 73-137.
[3] MOREI, M.; SOUZA, F. J. O. O poder da Maçonaria: a história de uma sociedade secreta no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.
[4] ISMAIL, K. História da Maçonaria brasileira para adultos. Londrina: A Trolha, 2017.

