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QUEM FOI PRINCE HALL?

Foto de Prince Hall (domínio público). Disponível em: http://freemasonry.bcy.ca/prince_hall/PrnceHll.jpg. Acesso em: 29 de set. de 2026.

Foto de Prince Hall (domínio público). Disponível em: http://freemasonry.bcy.ca/prince_hall/PrnceHll.jpg. Acesso em: 29 de set. de 2026.


QUEM FOI PRINCE HALL?

 

Breviário Maçônico do Século XXI

 

Prince Hall foi um negro escravizado na região de Boston, Massachusetts, na metade do século XVIII, tendo trabalhado com processamento de couro. Não se sabe detalhes de sua libertação, mas, ao se tornar um homem livre, abriu seu próprio negócio e lutou pela libertação de outros negros escravizados. Durante o período da Guerra de Independência dos EUA, Prince Hall liderou movimentos para que os negros servissem o exército e conquistassem a liberdade.

 

A frente de um grupo de negros livres, Prince Hall também procurou ingresso na mais tradicional loja maçônica de Boston, a St. Andrew's, de origem escocesa. Eles foram recusados, mas a notícia chegou a uma loja local com patente irlandesa, que tratou de iniciá-los.

 

Após receberem os graus simbólicos, esse grupo de irmãos negros, liderado por Prince Hall, fundou a Loja “African”, solicitando dispensa à Grande Loja da Inglaterra (dos Modernos), concedida em 29/09/1784. Essa loja, que tinha Prince Hall como seu Venerável Mestre, daria origem a outras duas, uma na Pensilvânia e outra em Rhode Island, também formadas por negros.

 

Seis meses após a morte de Prince Hall, em 24/06/1808, essas três lojas que ele ajudou a fundar se reuniram para fundar a então Grande Loja Africana dos EUA, que mudaria oficialmente seu nome para Grande Loja Prince Hall, em 1847[1].

 

Assim, nasce a Maçonaria para negros, nos Estados Unidos, em resposta ao racismo de maçons brancos, travestido de usos e costumes. Alguns justificavam o veto pelo fato de muitos dos negros da época não serem “nascidos livres”, enquanto outros apelavam para a suposta tradição das lojas, que nunca haviam iniciado qualquer negro, não cabendo esse tipo de “inovação”. Contudo, a verdade é que os EUA mantiveram segregação racial institucionalizada e legalizada até o final da década de 1960.

 

Atualmente, as Grandes Lojas Prince Hall consideradas regulares são aquelas integrantes da Conferência de Grão-Mestres Prince Hall Affiliation (PHA)[2]. E em quase todos os Estados americanos, a Grande Loja convencional (da COGMNA) já reconhece a Grande Loja PHA de seu Estado.

 

A Maçonaria Prince Hall, com seus mais de 200 anos de história, enfrentando, pelo menos, 150 anos de segregação legalizada, teve que criar suas próprias organizações-espelho, como Supremo Conselho do Rito Escocês, Grandes Corpos do Rito de York, Estrela do Oriente e Shriners. Hoje, as relações são, de modo geral, reconhecidas e harmônicas, mas sem intenção de fusão a curto prazo. Afinal de contas, não se pode jogar fora dois séculos de lutas e cultura organizacional distinta.

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

ISMAIL, Kennyo. Breviário Maçônico do Século XXI. Brasília: No Esquadro, 2025.

 

________________________

Notas de rodapé

[1] WALKES, J. A. Black Square & Compass: 200 Years of Prince Hall Freemasonry. Richmond: Macoy, 1989.

[2] Site oficial: https://www.conferenceofgrandmasterspha.org/



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