A ESCADA DE JACÓ NA BÍBLIA
Por Izautonio da Silva Machado Junior

A Escada de Jacó no Rito de York
A instrução da Escada de Jacó é abordada no grau de Aprendiz Admitido. Na versão da Grande Loja de Nova York, a instrução tem o seguinte enunciado:
A cobertura de uma loja é nada menos do que a abóbada com nuvens ou um céu adornado de estrelas, onde todos os bons Maçons esperam finalmente chegar, com a ajuda daquela escada que Jacó viu, em sua visão, estendida da terra até o céu, cujos degraus principais são a Fé, a Esperança e a Caridade. Fé em Deus, Esperança na imortalidade e Caridade para com toda a humanidade. A maior destas Virtudes, chamadas teologais, é a Caridade, pois a Fé pode ser perdida de vista e a Esperança termina na realização[1]. Porém, a Caridade estende-se além do túmulo, através dos reinos ilimitados da eternidade.
Para melhor entender o significado do texto, vamos analisar o contexto religioso que originou essa formulação teológico-maçônica.
A Escada de Jacó na Bíblia
O símbolo da Escada de Jacó foi extraído da Bíblia Sagrada:
Jacó partiu de Berseba e rumou para Harã. Chegando a determinado lugar, parou para pernoitar, porquanto o sol já se havia posto no horizonte. Tomando uma das pedras dali, usou-a como travesseiro e deitou-se. E teve um sonho no qual viu uma escada apoiada na terra; seu topo alcançava os céus, e os anjos de Deus subiam e desciam por ela. (...) Então sentiu medo e exclamou: “Quão temível é este lugar! Certamente não é outro, senão bêt El, a casa de Deus; eis que encontrei a porta dos céus!” (Gênesis, 28, 10-12 e 17).
Em síntese, a visão da escada em um sonho ocorreu durante sua viagem à Mesopotâmia, quando em seu trajeto vagando pelo deserto, passou a noite nas proximidades do antigo santuário cananeu de Luz.

Para contextualizar esta passagem, vejamos um trecho da Preleção do grau de Aprendiz da Emulation Lodge of Improvement:
Rebeca, a amada esposa de Isaac, sabendo por inspiração Divina que uma bênção especial foi colocada na alma de seu marido, estava desejosa de obtê-la para o seu filho favorito, Jacó, embora sabendo que por direito ela pertencia ao seu primogênito, Esaú. Jacó, que mais tarde obteria a bênção de seu pai de modo fraudulento, foi obrigado a fugir da ira de seu irmão que, num momento de raiva e desapontamento, o ameaçara de morte. E, enquanto se dirigia a Padã-Arã, na terra da Mesopotâmia, (conforme determinado por seus pais, viu-se obrigado a ir) fatigado, pernoitou no meio do deserto e, deitando-se, tomou a terra com seu leito, uma pedra por travesseiro e a Abóbada Celeste como uma coberta. Então, em uma visão, viu uma Escada cujo topo atingia os Céus e pela qual os Anjos do Senhor subiam e desciam. Foi então que o Todo-Poderoso fez um solene trato com Jacó, de que se ele observasse as Suas leis e guardasse os Seus mandamentos, Ele não só o levaria de volta à casa de seu pai, em paz e prosperidade, como faria de sua descendência um povo grande e poderoso. Isso foi amplamente cumprido, pois, após um lapso de vinte anos, e Jacó retornou à sua terra de origem, foi gentilmente recebido pelo seu irmão Esaú. O seu filho José tornou-se posteriormente, por ordem do Faraó, o segundo homem do Egito. Os filhos de Israel, altamente favorecidos pelo Senhor, constituíram-se ao longo do tempo em uma das maiores e mais poderosas Nações da face da terra.
Nota-se que, embora o símbolo da Escada de Jacó na Maçonaria faça uma relação entre os degraus e as Virtudes Teologais da Fé, da Esperança e da Caridade, esta associação simplesmente não existe na Bíblia. Na verdade, estas virtudes provêm de outra passagem: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, e a caridade, estas três; mas a maior destas é a caridade” (1 Coríntios 13:13)[2].
A conexão entre um texto do Antigo Testamento — Livro de Gênesis — com um texto do Novo Testamento — Coríntios — nos leva à conclusão lógica de que a simbologia adotada na Maçonaria é de natureza cristã.
Gostou da leitura? Este artigo apresenta apenas um pequeno trecho da obra INTRODUÇÃO AO RITO DE YORK 2ª EDIÇÃO.
Leia também o primeiro artigo da série:
Fonte:
MACHADO JUNIOR, Izautonio da Silva. Introdução ao Rito de York: as blue lodges. 2ª edição. Porto Velho, RO: Imediata, 2026.
Notas de rodapé
[1] Outros textos, quando mencionam a esperança, ao invés de usarem a frase “a esperança termina em realização”, usam a frase “a esperança termina em frustração”. Este é o caso dos rituais das Grandes Lojas de Nevada, Michigan, Prince Hall da Califórnia e do Monitor de Jeremy Cross (1826). Por outro lado, encontramos outros exemplos de uso da palavra “realização” da mesma forma que na Grande Loja de Nova York, como é o caso dos rituais das Grandes Lojas de Illinois e Flórida, o Monitor de Charles Moore (1868) e o Manual da Loja de Albert Mackey (1862). Embora o resultado seja o mesmo — a esperança pode se esvaecer tanto pela realização como pela frustração — mencionamos tal peculiaridade a título de curiosidade, identificada durante as pesquisas.
[2] Versão Bíblica Revista e Corrigida de João Ferreira de Almeida.



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