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BREVES COMENTÁRIOS SOBRE MAÇONARIA E RELIGIÃO

  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

 

Por Eleutério Nicolau da Conceição


BREVES COMENTÁRIOS SOBRE MAÇONARIA E RELIGIÃO


BREVES COMENTÁRIOS SOBRE MAÇONARIA E RELIGIÃO
Imagem ilustrativa gerada por IA

Historicamente se pode provar que a Maçonaria operativa era católica, como praticamente todos (exceto os judeus) naquela época na Europa. Documentos maçônicos fazem referência a Deus pai, Filho e Espírito Santo e à Santa Madre Igreja. A mutação ocorrida nas ilhas britânicas, que gerou nossa atual Maçonaria, ocorreu em meio predominantemente anglicano e presbiteriano.

 

Lembremos que James Anderson era pastor de uma igreja presbiteriana. Na época, o Suprassumo de tolerância era a convivência pacífica entre os diferentes ramos do Cristianismo, que há não muito tempo tinham-se matado em nome de Deus. Contudo, não se admitia que um homem civilizado não fosse cristão. Depois, por influência iluminista, se admitiu o “Princípio Criador” que cada um deve definir segundo suas crenças pessoais.

 

Na formulação dos graus superiores, tomou-se como referência, entre outras, elementos do antigo (ou primeiro) testamento (Não exatamente do judaísmo). Assim os preceitos adotados pela Maçonaria, tem raízes judaico/cristãs. Porém, ela não desenvolve doutrinas ou ensinamentos religiosos. Não define Deus, Alma, nem como se dá a admitida vida após a morte, deixando essas definições ao cargo de cada maçom. Não define o além, não ensina exercícios para desenvolvimento de percepção, ou poderes extrassensoriais, não define a natureza do ser nem do Universo, exatamente para não cercear a liberdade filosófico/religiosa de seus membros. É assim que entendo.

 

São evidentes na Maçonaria as influências católicas, que datam do período Operativo (vide as “lojas de São João”). Assim também a influência judaica no REAA, via antigo testamento, de onde vieram palavras sagradas e de passe, e o cenário de grande número dos dramas ritualísticos dos graus.

 

O Mundo Ocidental, incluindo nosso chamado “Terceiro Mundo” reflete em sua cultura princípios judaico/cristãos. Em tribunais os depoentes também juram sobre a bíblia (e tribunais, claramente, não são religião). Por outro lado, é bom lembrar que a Maçonaria não pratica qualquer culto religioso, de consonância católica ou judaica. Tampouco em seus ensinos, a Maçonaria aborda qualquer doutrina caracteristicamente católica ou judaica, nem de qualquer outra religião.

 

A Maçonaria não se interessa nem tem qualquer doutrina sobre o Além. Diz apenas que ele existe, sem acrescentar qualquer descrição. Seu objetivo, imenso e de consonâncias utópicas resume-se em estimular o desenvolvimento da fraternidade humana, a par de religiões e organizações políticas, trabalha do singular para o plural, acentuando a ideia de que o aperfeiçoamento pessoal é possível e necessário.

 

Quando um indivíduo se aprimora, nele a humanidade se aperfeiçoa. Na Maçonaria há lugar para membros de todas as religiões (excetuando-se, é claro, as aberrantes, anti-humanas) mas não há espaço para as doutrinas de nenhuma delas. Por isso não se discute religião nem se pregam doutrinas religiosas em loja.  

 

O que a Maçonaria estuda/ensina?

A Maçonaria utiliza símbolos e instrumentos do antigo pedreiro, que tomava as pedras brutas vindas das pedreiras e em suas lojas de trabalho as desbastava, polia e construía com elas catedrais, abadias e monumentos.

 

O novo maçom reconheceu-se como uma pedra, inicialmente bruta, que precisa ser desbastada e polida para que possa contribuir positivamente na construção do edifício social humano. Ensina o ideal da fraternidade humana, com o sonho de consonância utópica de que os homens aprendam a considerar a fraternidade humana como princípio maior, antes de religiões ou política.

 

Ensina e defende a liberdade de pensar e a livre expressão do pensamento, o combate à tirania, ignorância, superstição e fanatismo, com exaltação suprema da razão, que deve dominar sobre a emoção e os sentidos (lembra do pentagrama); ensina que o maçom deve acreditar em um princípio criador, que nomeia “Grande Arquiteto do Universo”, mas sobre o qual não apresenta doutrina ou definições, deixando que cada maçom o defina segundo a religião que livremente adota.

 

Cultiva o sonho utópico de tornar feliz a humanidade, pela manifestação do amor/Ágape/Caritas, pelo aperfeiçoamento dos costumes, pela Doutrina da igualdade humana, pela tolerância quanto as diferentes opções religiosas e filosófica, pelo respeito à autoridade pessoal de cada um, pelo direito de assumir as posições definidas por sua consciência, pela livre crença religiosa de cada um. Tudo isso é apresentado em dramas ritualísticos, ilustrados por símbolos e conceitos colhidos de diferentes culturas, em metáforas e analogias que maçons menos instruídos tomam ao pé da letra.

 

Os diferentes graus comentam as diferentes maneiras pelas quais o maçom evolui e interage positivamente na sociedade, como exemplo vivo de integridade, de que existem princípios antes de interesses.

 

Ensina a necessidade de o maçom se relacionar com o divino, o transcendente, sem, contudo, oferecer qualquer orientação nessa área, deixando completa a liberdade de escolha com relação a qual religião ou escola de sabedoria seus filiados escolherão para buscar a divindade, abstendo-se de oferecer doutrina sobre o tema. Enfim, este é um resumo de como entendo o que ensina a Maçonaria.

 

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