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A ESCADA DE JACÓ

  • há 6 dias
  • 4 min de leitura

Por Almir Sant’Anna Cruz


A ESCADA DE JACÓ


A ESCADA DE JACÓ
Imagem ilustrativa gerada por IA

No Painel elaborado pelo Irmão John Harris para o Ritual de Emulação (Rito de York-GOB), apoiada nas três grandes Luzes da Maçonaria, por sobre o Altar dos Juramentos, vê se uma escada, a Escada de Jacó, de numerosos degraus e que sobe até a Estrela Brilhante de 7 Pontas.

 

É um símbolo genuinamente do Ritual de Emulação, importado para o REAA pelas Potências confederadas à CMSB e algumas confederadas à COMAB.

 

A Escada de Jacó, como todo Símbolo Maçônico, presta-se a diversos significados, que se tornam mais densos conforme o estágio de evolução do Iniciado.

 

A Escada, em diversas religiões, está sempre ligada à Evolução, à Iniciação e ao caminho que leva à Divindade. Com efeito, com esses mesmos significados, está presente no Simbolismo Maçônico.

 

A Escada de Jacó foi extraída de Gênesis 28:10-19. Pelo relato bíblico, essa escada significava o caminho que conduzia à morada de Deus e, de forma análoga, a Escada de Jacó presente no Painel, representa o caminho sagrado, o caminho do aperfeiçoamento moral e espiritual, o caminho da perfeição, que leva ao Grande Arquiteto do Universo.

 

Para a Escola Oculta, a Escada de Jacó simboliza o ciclo involutivo e evolutivo da vida, em seu perpétuo fluxo e refluxo, através de nascimentos e mortes, desdobrando-se em hierarquias de seres, mundos, potestades, reinos da vida e raças.

 

Diz o Ritual do Rito de York — Emulação:

“O caminho por onde nós, como Maçons, esperamos lá chegar tem como auxílio um escada, chamada nas EE.'. a escada de Jacob. É composta de muitos degraus, que representam muitas virtudes morais ...”


Portanto, cada um dos degraus da Escada de Jacó simboliza uma das virtudes que o Maçom deve cultivar, deve sublimar, para chegar à perfeição.

 

Se tivermos um pouco de paciência e contarmos quantos são os degraus constantes no Painel concebido pelo Irmão John Harris, figurado no Ritual do Rito de York — Emulação — traduzido em 1920 para o português pelo Irmão A. J. T. Sadler (pag. 54), encontraremos dezessete. Todavia esse número não tem a menor importância, pois os degraus da Escada de Jacó são tantos quantas forem as virtudes necessárias ao aperfeiçoamento individual do iniciado, isto é, o número de degraus para atingir o ápice da Escada é variável em função do grau de evolução e de aperfeiçoamento de cada um.

 

Ainda de acordo com aquele Ritual, as três principais virtudes são a Fé, a Esperança e a Caridade, representadas nos degraus da Escada de Jacó, respectivamente, pela Cruz, pela Âncora e pelo Cálice ou Taça com a mão em atitude de a alcançar.

 

Digno de nota é o fato dessas virtudes serem consideradas pela Igreja Católica como sendo as Virtudes Teologais, ou seja, as virtudes infusas na alma por Deus, por terem o próprio Deus por objeto imediato.

 

Segundo a interpretação da Igreja Católica, “A Fé inclina e capacita o intelecto e a vontade a aceitar a palavra de Deus e a aderir à sua autoridade, que a revela. A Esperança inclina e capacita a vontade a ter confiança que Deus lhe dará a vida eterna e a graça para merecê-la. A Caridade inclina e capacita a vontade a amar a Deus, por ser quem é, a si mesmo e ao próximo por causa de Deus”.

 

No Ritual do Rito de York — Emulação —, encontramos a seguinte explicação:

"Fé no G.'.A.'.D.'.U.'., Esperança na salvação e Caridade para todos os homens (...), porque, pelas doutrinas contidas no L.'. SS.'. EE.'. somos ensinados a crer na benevolência da Divina Providência, crença que reforça a nossa fé (...); esta fé, naturalmente, cria em nós a esperança de nos tornarmos participantes das promessas abençoadas ali descritas (...) O Maçom que possui essa virtude (a Caridade), no mais amplo sentido pode ser considerado como tendo atingido o apogeu de sua profissão”.

 

Além das três Virtudes Teologais, a Igreja Católica destaca ainda quatro outras, chamadas Virtudes Cardeais, por serem as quatro principais virtudes morais: a Prudência, a Justiça, a Fortaleza e a Temperança.

 

Para os budistas, a Fé está presente em qualquer consciência saudável e se faz necessária enquanto não se alcança a Sabedoria, que é a verdadeira semente sem a qual o crescimento espiritual não pode começar. As Virtudes Cardeais dos budistas são: a Sabedoria, a Fé, o Vigor (a Força), a Atenção e a Concentração.

 

Além de todas essas virtudes já mencionadas, muitas outras deverão ser estudadas e praticadas pelo Maçom que efetivamente aspire a Perfeição.

 

Voltando ao Painel do Irmão John Harris e à sua concepção artística da Escada de Jacó, cujo número total de degraus já havíamos contado e que somam dezessete, pode-se constatar que a Cruz está indicada no segundo degrau, a Âncora no oitavo e o Cálice ou Taça no décimo quarto.

 

Embora esses três Símbolos sejam mencionados e estudados, tanto no Ritual quanto na literatura maçônica disponível, o fato é que no quinto degrau existe um outro Símbolo importantíssimo e que ficou inexplicavelmente esquecido por todos: uma Chave.

 

Talvez em virtude da Chave não ser mencionada no Ritual do Rito de York — Emulação —, ainda que presente em seu Painel, ou ainda por pertencer ao simbolismo de um Grau superior, muitas Obediências Maçônicas brasileiras que adotam o Painel do Irmão John Harris no REAA, simplesmente suprimiram-na, apagando a Chave do desenho original. Assim, o Painel que utilizam é exatamente igual ao do Rito de York — Emulação, porém sem o desenho da Chave.

 

Enquanto que as três virtudes representadas pela Cruz, a Âncora e o Cálice ou Taça, isto é, a Fé, a Esperança e a Caridade são classificadas pela Igreja Católica como Virtudes Teologais, ou seja, virtudes naturais incutidas no homem  por Deus, a virtude representada pela Chave foi incutida no Maçom quando de sua Iniciação e confirmada em seu juramento, devendo ser observada com extremo rigor pelo Iniciado, que deverá considerá-la como sendo tão importante quanto as três que a acompanham na Escada de Jacó.

 

Essa virtude deve ser guardada no coração e trancada com a Chave. É a virtude de quem sabe guardar para si os Segredos que lhe foram revelados em sua Iniciação e outros que gradualmente lhe serão transmitidos, a virtude da Discrição.


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