BÍBLIA OU LIVRO DA LEI?
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Por Sérgio QUIRINO Guimarães
BÍBLIA OU LIVRO DA LEI?

A resposta a esse questionamento suscita duas possibilidades. Em âmbito concreto, eles são iguais, já no campo simbólico há diferenças. A Bíblia é um livro sagrado do Judaismo (Antigo Testamento, Tanakh) e do Cristianismo (sobretudo o Novo Testamento). Em ambas as partes, encontramos instruções para uma correta vida espiritual e material.
A Bíblia é um guia espiritual para conhecer o Criador, os dogmas religiosos, a história da criação de um belo mundo exterior, dos líderes religiosos e dos profetas até o Cristo. Sua leitura e seu estudo visam ao amor ao próximo, à correção para a vida e à garantia de um paraíso espiritual individual após a morte.
O Livro da Lei, por sua vez, é um guia moral para o autoconhecer da Criatura, o qual aborda os valores morais, as instruções para a criação de um salutar mundo interior e as inspirações éticas, mediante personagens reais e míticos. Seu estudo almeja o aprimoramento do comportamento diário e da vivência da justiça, a fim de amenizar um inferno social coletivo ainda em vida. Assim,
NÃO PODEMOS TRATAR O LIVRO DA LEI COMO UM LIVRO RELIGIOSO. MAÇONARIA NÃO É RELIGIÃO. NOSSOS LABORES ESTÃO BASEADOS NA ÉTICA E NA MORAL, E NÃO NA FÉ E NAS CRENÇAS.
Não se trata de um desrespeito ou uma incongruência. Isso porque, para adentrar a Ordem, é condição sine qua non que o candidato acredite em um Princípio Criador. Não por uma questão religiosa, mas para conhecimento do nível “brutalidade” da nova “pedra” que aspira a fazer parte de nossa construção.
A certeza de que a pergunta não possui cunho religioso reside na sutileza em não questionar se o candidato acredita em Deus, mas sim em um Princípio. Este se refere à origem, ao ponto de partida ou à base de algo como uma verdade primária, que é um conceito filosófico.
A frase de Albert Einstein “Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens”, resume bem a concepção filosófica de Baruch Spinoza, quem identifica Deus como a própria Natureza e o universo, em vez de um ser com forma humana. Esse princípio criador é a única substância existente, infinita e eterna, da qual tudo o que existe faz parte e deriva.
Até quando nos referimos ao Livro da Lei como Sagradas Escrituras não estamos nos referindo a um conjunto de livros sagrados aceitos pelo Judaismo e pelo Cristianismo como a Palavra de Deus revelada, mas como documentos jurídicos. Em outras palavras, documentos ao Direito, às leis e às normas que regulam a sociedade, e elas são “sagradas” por remeterem a algo digno de veneração e respeito.
O LIVRO DA LEI, ESSA COLETÂNEA DE VENERÁVEIS INSTRUÇÕES, É UMA DAS GRANDES LUZES DA MAÇONARIA. SEU ESTUDO E SUA OBSERVÂNCIA NOS GUIAM AO ÚLTIMO DEGRAU DO ORIENTE, DIRIGEM NOSSO CAMINHO PELO OCIDENTE, MOSTRANDO-NOS COMO PAUTAR NOSSAS ATITUDES EM PROL DA CONSTRUÇÃO DE UMA VIDA PARADISÍACA.
Sérgio QUIRINO Guimarães Minas Gerais Shrine Club CNF - Robur et Furor




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