top of page
APROVEITE:
Frete Grátis por Tempo Limitado! Seu pedido sem custo de entrega, independente do valor da compra. Promoção válida somente até 31/08/2026.

OS PRIMEIROS REGISTROS DOCUMENTAIS DA MAÇONARIA

  • há 11 minutos
  • 3 min de leitura

 

Por Vanderlei Coelho


OS PRIMÓRDIOS DOCUMENTAIS DA MAÇONARIA OPERATIVA


A carta de Bolonha
A carta de Bolonha, WINETZKI, Michael. Maçonaria: de Isaac Newton à Internet. 3ª edição [S. l.], 2023.

Durante muito tempo, o Poema Regius, também chamado Manuscrito Regius foi considerado na literatura maçônica como o mais antigo documento relacionado à Maçonaria. Tradicionalmente datado de aproximadamente 1390, atualmente é situado pela British Library[1] na primeira metade do século XV, entre 1400 e 1449.

 

O Manuscrito Regius encontra-se preservado na British Library[2] sob a referência Royal MS 17 A I. Contém um poema em inglês médio sobre a arte da maçonaria. Seu conteúdo inclui normas relacionadas à conduta dos maçons, referências aos Quatro Mártires Coroados, à Torre de Babel e às Sete Artes Liberais, além de preceitos relativos à conduta religiosa e social.

 

A identificação de outro importante registro, a Carta de Bolonha, demonstra que a história documental das corporações de construtores remonta a período anterior ao Regius. O documento intitulado Statuta et Ordinamenta Societatis Magistrorum Tapia et Lignamiis, posteriormente conhecido como ‘Carta de Bolonha’, é datado de 8 de agosto de 1248[3]. Esse documento precede em 142 anos, considerando-se a data tradicional de 1390, o Poema Regius.

 

De acordo com Winetzki[4] (2023):

O primeiro documento que descreve os regulamentos de uma guilda ou corporação de ofício, tem o complicado título de “Statuta et Ordinamenta Societatis Magistratrorum Tapia e Lignamiis[5]” ou Estatutos e Regulamentos da Sociedade dos Mestres Marceneiros e Carpinteiros, que foi redigido em Bolonha no ano de 1248, e que passou a ser conhecido como Carta de Bolonha. Este documento deixa claro que as profissões de caráter construtivo, como pedreiros ou carpinteiros já eram cuidadosamente regulamentadas desde épocas muito anteriores, dada a sua importância social e econômica. São estatutos e regulamentos dessa sociedade de carpinteiros e marceneiros da cidade de Tapias, na atual região de Castilla y León, na Espanha. Eles são considerados uma das mais antigas referências escritas à organização e estruturação da maçonaria. Acredita-se que esses estatutos influenciaram outras organizações de artesãos e construtores na Europa, incluindo as guildas de pedreiros e a maçonaria operativa.

 

O Manuscrito Regius representa uma tradição documental distinta daquela encontrada na Carta de Bolonha. Enquanto o documento italiano de 1248 apresenta estatutos de uma sociedade profissional, o Regius consiste em um poema de caráter normativo sobre a arte da maçonaria e permanece como um dos mais antigos e relevantes registros da tradição documental dos Old Charges (Antigos Deveres ou Antigas Obrigações), relacionado às corporações de construtores. Entre os principais manuscritos associados aos Old Charges destacam-se ainda o Manuscrito Cooke e os Estatutos de Schaw.

 

O Manuscrito Cooke constitui outro relevante testemunho da tradição documental maçônica medieval, apresenta elementos lendários e históricos relacionados à origem e à transmissão da arte dos construtores.

 

Os Estatutos de Schaw[6], promulgados na Escócia em 1598 e 1599, representam um momento decisivo na organização institucional do ofício. William Schaw, Mestre de Obras do rei Jaime VI e Vigilante-Geral do ofício estabeleceu regras que deveriam ser observadas pelos mestres maçons do reino e determinava princípios de organização, disciplina e relacionamento entre os integrantes da profissão.

 

É importante destacar que há outros registros de relevância histórica, ainda que não tenham sido mencionados neste texto. Todavia, com base no conjunto documental apresentado, é possível identificar um amplo processo de evolução histórica da Ordem. Ele tem início nas sociedades profissionais medievais e em suas regulamentações corporativas, avança com a crescente organização das lojas e a admissão gradual de membros não operativos, e culmina, posteriormente, no desenvolvimento da Maçonaria Moderna, conhecida como Especulativa. Esse processo, entretanto, não deve ser interpretado como uma evolução linear ou automática da instituição, mas como resultado de complexas transformações de ordem cultural, econômica, social, política e religiosa que se desenrolaram ao longo de vários séculos.


Notas de rodapé das Referências Bibliográficas

[1] BRITISH LIBRARY. Royal MS 17 A I. Disponível em: <https://searcharchives.bl.uk/catalog/040-002107232>. Acesso em 21 ago. 2026.

[2] BRITISH LIBRARY. Royal MS 17 A I. Disponível em: <https://searcharchives.bl.uk/catalog/040-002107232>. Acesso em 21 ago. 2026.

[3] FREEMASON. A Carta de Bolonha (1248) – O mais antigo documento Maçónico. Disponível em: <https://www.freemason.pt/carta-de-bolonha-1248-antigo-documento-maconico/>. Acesso em: 21 ago. 2026

[4] WINETZKI, Michael. Maçonaria: de Isaac Newton à Internet. 3ª edição [S. l.], 2023.

[5] Percebe-se uma pequena variação na grafia: enquanto no site Freemason consta Statuta et Ordinamenta Societatis Magistrorum Tapia et Lignamiis, na obra Maçonaria: de Isaac Newton à Internet aparece a forma Statuta et Ordinamenta Societatis Magistratrorum Tapia e Lignamiis. Em negrito estão assinaladas as diferenças de grafia.

[6] GRANDE LOJA DA ESPANHA. Estatutos de Schaw, 1598. Disponível em: <https://www.gle.org/estatutos-schaw-1598/>. Acesso em 21 ago. 2026.

Comentários


bottom of page