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9 DE JANEIRO DE 1822, DIA DO FICO

  • há 1 dia
  • 5 min de leitura

Por Vanderlei Coelho

 

O DIA EM QUE O BRASIL SE REBELOU CONTRA PORTUGAL


DIA DO FICO
Imagem ilustrativa gerada por IA
“Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico.” — D. Pedro

 

Estamos retomando os trabalhos justamente em um dia marcante da história do país. Em 9 de janeiro de 1822, D. Pedro desobedeceu às Cortes portuguesas e decidiu permanecer no Brasil.

 

A Independência do Brasil, proclamada em 7 de setembro de 1822, representa um marco decisivo na formação do Estado brasileiro. Este processo não se deu de forma abrupta, foi resultado de uma série de transformações políticas, econômicas e sociais que culminaram na ruptura com a coroa portuguesa.

 

Mas, quando de fato, a então colônia ousou se libertar de Portugal? Para tentar responder a essa pergunta é preciso voltar no tempo.

 

Quando Napoleão invade Portugal, em 1807, a família real portuguesa foge para o Brasil. D. João VI e a família chegaram aqui em 1808. Oliveira Lima apud Castellani (2007)[1] revela que:

“(...) quem separou o Brasil foi D. João VI”; na realidade, elevando o Brasil à categoria de Reino Unido ao de Portugal e Algarves, a 16 de dezembro de 1815, D. João dava o primeiro passo para a independência do país.

O bonachão e sonolento D. João, com um tino extraordinário, já previra a marcha dos acontecimentos, sabendo que a partir do estabelecimento da corte no Rio de Janeiro e da revolta das colônias espanholas, era impraticável o retorno do Brasil ao estado primitivo; dessa maneira, ele previu bem a situação posterior: ele e D. Pedro deveriam empalmar os tronos de Portugal e do Brasil, garantindo-os para a Casa de Bragança.

 

Com a chegada da família real, em 1808, o Brasil deixou de ser uma simples colônia portuguesa e passou a ser o centro do Império Português, tendo sido elevado à condição de reino em 1815[2].

 

Em 1816, D. João VI torna-se rei do Brasil e de Portugal depois da morte de sua mãe, D. Maria I, a “Rainha Louca”[3].

 

Dia do fico

Em 1820, revolucionários liberais portugueses tomaram o poder na cidade do Porto e exigiram o retorno de D. João VI a Lisboa. Com a volta da família real a Portugal, em 1821, D. Pedro foi nomeado príncipe regente.

 

As Cortes portuguesas também pressionavam pela volta de D. Pedro, mas ele recusou. Alguns historiadores atribuem esse episódio — que entrou para a história como o “Dia do Fico” — o ponto primordial para o movimento de libertação do Brasil e como conseguinte sua independência, como afirma Cordeiro (2017)[4]:

Com certeza, o “Fico” foi o ato culminante para a história do Brasil. De fato, a “Revolução da Independência” teve maior impacto quando o Príncipe D. Pedro, atendendo às representações dos fluminenses, paulistas e mineiros, desobedeceu às Cortes Constituintes da Nação Portuguesa que o chamavam à Europa.

 

Em 9 de janeiro de 1822, Dia do Fico, D. Pedro declarou: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico”.

 

A Maçonaria em terras tupiniquins era dividida em duas correntes, a Azul e a Vermelha, sendo que os próceres da Independência do Brasil estavam ideologicamente em lados opostos.

 

A desobediência de Dom Pedro deve ter desapontado os integrantes da Maçonaria Vermelha, como revela Cordeiro (2017)[5]:

A maçonaria “Vermelha” esperava que os decretos fossem executados e cumpridos imediatamente, porém diante da reação da maçonaria “Azul” e da opinião monarquista do povo, favorável a D. Pedro, a maçonaria "Vermelha" recuou e omitiu-se, resistindo passivamente. No entanto, pouco tempo depois começou a instigar os motins em todo o Rio de Janeiro.

 

Dom Pedro, ao se rebelar contra a decisão das Cortes de Lisboa, teve apoio de José Bonifácio e da Maçonaria “Azul”, ele organizou um governo forte, com respaldo principalmente da província de São Paulo que era predominantemente “Azul”.

 

Diz ainda o autor[6] que o “Fico” foi obra exclusiva da Maçonaria Brasileira e, principalmente, de Joaquim Gonçalves Lêdo, Januário da Cunha Barbosa e José Joaquim da Rocha (CORDEIRO, 2017).

 

Outro ponto importante na articulação política em torno do movimento de independência foi o título de “Defensor Perpétuo do Brasil” dado ao Príncipe Regente Dom Pedro a 13 de maio de 1822, Cordeiro[7] destaca que “foi obra do grupo de Joaquim Gonçalves Lêdo, por proposta de Domingos Alves Branco Muniz Barreto, em sessão da Loja Comércio e Artes”, com o escopo de conquistar o Príncipe para a causa do Brasil.

 

Depois de receber o título de “Defensor Perpétuo do Brasil”, Dom Pedro seria iniciado na Maçonaria[8]:

No dia 2 de agosto de 1822, por proposta de José Bonifácio, deu entrada, no Grande Oriente do Brasil, a proposta de iniciação do Príncipe D. Pedro de Alcântara, que foi aprovada, sendo ele iniciado no mesmo dia e elevado a Mestre já três dias depois (CORDEIRO, 2017).

 

O plano para atrair Dom Pedro para a causa da Independência do Brasil avançou com a sua indicação para o cargo de Grão-Mestre[9]:

A 22 de agosto, por influência do grupo de Gonçalves Lêdo, o príncipe regente era indicado para exercer o Grão-Mestrado, numa manobra política de fundamental importância para o advento da independência. Com a eleição do Príncipe, José Bonifácio passou a atuar na condição de Grão-Mestre Adjunto, o que o deixou bastante magoado (CORDEIRO, 2017).

 

Com a fundação do Grande Oriente Brasílico, em 1822, a Maçonaria passou a exercer papel decisivo na Independência do Brasil, servindo como espaço para o debate político e a difusão de ideias iluministas.

 

Apesar das divergências ideológicas entre os grupos liderados por José Bonifácio e Gonçalves Ledo, os ideais libertários de independência prevaleceram.

 

Constata-se que o processo de Independência do Brasil não ocorreu de forma abrupta, mas foi resultado de uma série de transformações políticas, econômicas e sociais que culminaram na ruptura com Portugal.

 

A chegada da família real portuguesa ao Brasil, em 1808, e a elevação do país à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves, em 1815, possibilitaram o fortalecimento da autonomia administrativa brasileira.

 

O retorno de D. João VI a Portugal, a nomeação de D. Pedro como príncipe regente e sua recusa em regressar à metrópole, deram ainda mais força ao processo de independência.

 

Que o novo ano traga saúde, esperança e prosperidade. Feliz e abençoado 2026.

 

Fontes Pesquisadas:

CASTELLANI, José. A Ação Secreta da Maçonaria na Política Mundial. 2ª edição revisada. São Paulo: Editora Landmark, 2007.

COELHO, Vanderlei. A Maçonaria e a Independência do Brasil. Disponível em: https://www.maconariacomexcelencia.com/post/a-maconaria-e-a-independencia-do-brasil. Acesso em: 09 jan. 2026.

CORDEIRO, Vital Lopes. A Influência Política da Maçonaria na Pré-Independência do Brasil. Brasília: Editora Wizard, 2017.

GOMES, Laurentino. 1808: Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007.


Notas de rodapé

[1] CASTELLANI, José. A Ação Secreta da Maçonaria na Política Mundial. 2ª edição revisada. São Paulo: Editora Landmark, 2007.

[2] GOMES, Laurentino. 1808: Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007.

[3] Ibidem.

[4] CORDEIRO, Vital Lopes. A Influência Política da Maçonaria na Pré-Independência do Brasil. Brasília: Editora Wizard, 2017.

[5] Ibidem.

[6] Ibidem.

[7] Ibidem.

[8] Ibidem.

[9] Ibidem.

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