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A SIMBOLOGIA DA ESCADA DE JACÓ

há 3 horas
5 min de leitura

Por Izautonio da Silva Machado Junior


A SIMBOLOGIA DA ESCADA DE JACÓ

A SIMBOLOGIA DA ESCADA DE JACÓ
Imagem ilustrativa gerada por IA

De um modo geral, a imagem de uma escada como símbolo de progresso e ascensão iniciática pode ser considerada de uso universal. Significados simbólicos relacionados a uma escada podem ser localizados em religiões antigas como o Mitraísmo e em correntes esotéricas como o Hermetismo e a Cabalá, por exemplo.

 

Do ponto de vista maçônico, o simbolismo da escada pode ser resumido em uma mensagem simples e ao mesmo tempo poderosa: a ascensão ao Céu por intermédio da aplicação prática da Virtude em nossas vidas.

 

A Escada de Jacó é por vezes citada por autores maçônicos como a “escada mística” (MACKEY, 2017, p. 78) ou a “escada da consciência” (MACNULTY, 2012, p. 160), e representa o caminho pelo qual os maçons aspiram chegar ao Céu.

 

Nesse contexto, poderíamos inferir que a Escada de Jacó traduz as seguintes ideias: de uma ascensão iniciática; de uma viagem de evolução que conduz à Divindade; de uma peregrinação da Terra ao Paraíso; e de uma ponte por onde descem as Virtudes.

 

Sendo a loja a representação do mundo, a escada figura como um elemento de ligação com o Céu, representada pela Abóbada de sua Cobertura.

 

Na instrução maçônica, a Escada de Jacó é composta de “vários degraus”, sendo os principais a Fé, a Esperança e a Caridade, sem citar quais seriam os demais degraus.

 

Albert Mackey, ao abordar o assunto, acrescentou às três Virtudes Teologais as quatro Virtudes Cardeais para chegar a sete degraus e fazer um paralelo com o simbolismo do número sete em várias culturas antigas:

Em alguns do Antigos Mistérios, os sete degraus representavam os sete planetas, e então o Sol estava no ponto mais elevado; em outros, representava os sete metais, e então, o Ouro estava no ponto mais elevado; nos mistérios Bramínicos, eles representavam os sete mundos que constituíam o universo indiano, e então o mundo da Verdade era o mais elevado. (...) Ora, como caridade é amor e o Sol representa o Amor Divino, e também como o símbolo astronômico do Sol é o ouro, e como a verdade é um sinônimo de Deus, é evidente que o topo de todas essas escadas, seja o Sol, ou o Ouro, ou a Verdade, ou a Caridade, transmite a mesma exata lição de simbolismo, ou seja, que o Maçom, vivendo e trabalhando no mundo como sua Loja, deve elevar-se acima dele, àquela eminência que o transpõe, onde somente lá ele poderá encontrar a DIVINA VERDADE (MACKEY, 2017, p. 79).

 

Sem dúvida, o número sete possui um amplo respaldo quando se faz uma conexão com as Antigas Tradições. Todavia, o fato é que a instrução se limitou a citar apenas os três degraus principais.

Se sete virtudes fossem simbolizadas, penso que as quatro adicionais seriam as Virtudes Cardeais, mas apesar de ter examinado um grande número de Painéis antigos, não me recordo de ter visto qualquer uma delas ser simbolizada além das outras três (CARR, 2012, p. 145).

 

Nesse ponto, embora a escada não seja oficialmente de sete degraus, o número sete surge em vários painéis de outro modo no topo da escada, seja através da imagem de uma estrela de sete pontas, seja de uma constelação com sete estrelas. Outras vezes encontramos a estrela de sete pontas e ao mesmo tempo as sete estrelas ao redor da lua. Estas sete estrelas simbolizam, a princípio, o número de maçons necessários para se abrir uma Loja. No entanto as interpretações astrológicas as identificam como sendo a constelação de Plêiades, mais conhecida como “As Sete Irmãs”, e a partir daí se abre um novo campo de possíveis interpretações.

Tábua de Delinear de Primeiro Grau, gravada por F. Curtis e impressa por John Cole, 1801.
Tábua de Delinear de Primeiro Grau, gravada por F. Curtis e impressa por John Cole, 1801.

Voltando a falar dos degraus da escada, pode haver duas razões pelas quais geralmente as escadas são simbolizadas nas antigas tradições com números ímpares de degraus, sejam três, sete ou qualquer outro (HARWOOD, 2014, p. 129). Para o arquiteto e escritor romano Vitrúvio, a maioria dos antigos templos possuíam números de degraus ímpares pois era considerado um bom presságio se chegar ao topo pisando com o mesmo pé com o qual se pisou o primeiro degrau. Outra razão estaria fundada no sistema pitagórico, em que os números ímpares eram considerados mais perfeitos do que os números pares e ascender em uma escada com número ímpar poderia simbolizar o alcance do estado de perfeição almejado pelo maçom.

 

A razão pela qual a Escada de Jacó se apoia sobre o Livro das Sagradas Escrituras, é que este simboliza o código moral que os maçons devem seguir. Esta concepção de que o Livro Sagrado é um símbolo, denota o caráter universal da Maçonaria, que não é uma religião e abraça em seu seio maçons de todas as crenças. No entanto, nos sistemas maçônicos teístas, a compreensão das Sagradas Escrituras assume contornos mais religiosos, por considerar seu conteúdo uma revelação divina. Nesses termos, se considera que as Escrituras Sagradas contêm uma substância de ensinamentos nos quais os maçons devem se apoiar para evoluir espiritualmente. O sistema inglês segue esta linha. Vejamos outro trecho da Preleção do grau de Aprendiz da Emulation Lodge of Improvement:

Porque pelas doutrinas contidas naquele Livro Sagrado, somos levados a crer nas disposições da Providência Divina; a qual reforça a nossa Fé e nos habilita a subir ao primeiro degrau. Essa Fé, naturalmente cria em nós a Esperança de alcançar as abençoadas promessas nele contidas; esperança que o habilita a subir ao segundo degrau. Mas o terceiro e último, sendo a Caridade, compreende o todo; e o Maçom que possui essa virtude no seu mais amplo sentido, pode com justiça considerar ter alcançado o ápice de sua arte; falando figurativamente, uma mansão etérea, velada aos olhos dos mortais pelo firmamento estrelado, emblematicamente representado em nossas Lojas por s...e es...s, numa alusão a igual número de Maçons regulares; sem os quais nenhuma Loja é perfeita e nenhum candidato pode ser legalmente iniciado na Ordem.

 

Como todo símbolo, a escada pode comportar várias interpretações, e esta característica faz da simbologia um estudo enriquecedor. Para exemplificar isto, propomos um exercício de interpretação para associar as virtudes à escada, partindo da premissa de que elas estão em uma sequência, e considerando que cada degrau dela represente um nível.

 

A fé estaria situada na base da escada, em um nível abaixo, próximo do mundo físico, e serve de força propulsora para se alcançar níveis mais altos de espiritualidade.

 

A esperança estaria localizada no meio da escada, em um nível intermediário, relacionando-se como o mundo da psiquê, e serve de força propulsora para seguir a jornada em direção ao Céu.

 

A caridade estaria situada na parte mais alta da escada, relacionando-se com o mundo espiritual, e representa um estado de consciência mais iluminado que conduz a chegada no topo, onde brilha o reino da Divindade.

 


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