ENTRE A INSTITUIÇÃO E A ESSÊNCIA
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Por Saulo Nascimento
ENTRE A INSTITUIÇÃO E A ESSÊNCIA

Ao longo dos anos, participei de reuniões, administrações, eleições, debates, projetos, reformas e incontáveis discussões sobre os rumos da Maçonaria.
Vi irmãos chegarem entusiasmados e vi irmãos se afastarem silenciosamente. Vi excelentes líderes e vi vaidades ocuparem espaços que deveriam pertencer ao estudo, à fraternidade e ao aperfeiçoamento humano.
Com o tempo, percebi que a maior ameaça à Maçonaria não vem de fora. Ela surge quando passamos a dedicar mais energia à manutenção da estrutura do que ao propósito que justificou sua existência.
A Maçonaria não nasceu para produzir cargos. Não nasceu para colecionar títulos. Não nasceu para alimentar disputas internas. Não nasceu para transformar irmãos em adversários. Sua razão de existir sempre foi mais elevada.
Ela foi concebida para formar homens melhores, capazes de refletir sobre si mesmos, sobre a sociedade e sobre o legado que deixarão para as próximas gerações.
Após décadas de caminhada, compreendi que a verdadeira iniciação não acontece em uma cerimônia. Ela acontece quando o maçom passa a enxergar suas próprias imperfeições com honestidade.
Quando aprende a ouvir mais do que falar. Quando substitui a busca por reconhecimento pela busca por significado. Quando entende que a transformação do mundo começa pela transformação de si mesmo.
As instituições são necessárias. Sem elas não há continuidade, tradição ou preservação da história. Mas instituições existem para servir aos princípios, e não o contrário.
Quando os princípios são esquecidos, restam apenas regulamentos, formalidades e disputas que pouco contribuem para o crescimento humano.
Continuo acreditando na Maçonaria. Acredito em seus símbolos. Acredito em seus ensinamentos. Acredito em sua capacidade de formar caráter e despertar virtudes.
Mas acredito, sobretudo, que sua força reside naquilo que não aparece nas atas, nos cargos ou nas cerimônias. Sua força está na capacidade de inspirar homens comuns a viverem de forma mais justa, equilibrada e consciente.
Hoje, já não me impressionam os títulos que alguém possui. Interesso-me mais pelos valores que pratica. Já não me preocupa quem ocupa determinado cargo. Preocupa-me o que está sendo construído para aqueles que virão depois.
Porque, ao final, a verdadeira obra nunca foi o templo de pedra. A verdadeira obra sempre foi o ser humano. E é nela que continuo trabalhando.




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