A LOJA ESTÁ COBERTA?
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Por Jorge Gonçalves
A LOJA ESTÁ COBERTA?
Uma homenagem à ARLS Clodomir Silva nº 1477

Muitos dos procedimentos ritualísticos que praticamos hoje em Loja têm origem em antigas tradições do Ofício, preservadas ao longo dos séculos, mesmo quando as razões que motivaram sua adoção já não são plenamente compreendidas[1]. Isso fica evidente logo na abertura de nossos trabalhos. O primeiro dever de determinado oficial é garantir que o Templo esteja devidamente protegido (“coberto”) e, em seguida, assegurar-se de que todos os presentes são maçons[2]. Embora, em nossas reuniões habituais, todos se conheçam, essa exigência possui uma profunda raiz histórica.
Para compreendê-la, devemos voltar à Escócia do final do século XVI, mais especificamente aos Estatutos de William Schaw, de 1598. Esse documento, essencial para a organização do Ofício, estabelecia rigorosas proibições contra os chamados cowans. Não há pretensão de traduzir esse antigo termo para o português, preservando integralmente seu significado histórico. Naquele período operativo, o cowan era o trabalhador que exercia, ou pretendia exercer, o ofício de pedreiro sem ter passado pelo aprendizado regular ou sem pertencer à corporação do ofício. Em termos modernos, poderíamos compará-lo a alguém que tenta exercer uma profissão regulamentada, como a Medicina, sem diploma ou sem a devida habilitação legal. Os Estatutos de Schaw puniam não apenas os cowans, mas também os pedreiros que lhes oferecessem trabalho ou permitissem que seus aprendizes trabalhassem ao seu lado[3].
Segundo o pesquisador Kennyo Ismail, o termo goteira consolidou-se, na Maçonaria brasileira, como equivalente de cowan[4]. Em 1730, Samuel Prichard, em sua obra Masonry Dissected, escreveu: “Se um cowan (ou um ouvinte clandestino) for apanhado, como deverá ser punido?” E assim respondeu: “Deverá ser colocado sob o beiral de uma casa, em tempo chuvoso, até que a água escorra pelos ombros e saia pelos sapatos[5].”
Não é por acaso que o oficial responsável por proteger o Templo recebe o nome de Cobridor, tradução do termo inglês Tiler (aquele que assenta telhas). Sua função consistia em “cobrir” a Loja, impedindo a entrada de intrusos ou de ouvintes clandestinos durante os trabalhos[6].
A documentação histórica revela que o rigor na identificação dos visitantes jamais teve por finalidade afastar Irmãos. Ao contrário, sempre existiu para garantir um dos maiores privilégios da Maçonaria: o direito de intervisitação entre Lojas. Trata-se de um direito imemorial, espontâneo e universalmente reconhecido, razão pela qual, em minha compreensão, constitui um verdadeiro Landmark, um marco tradicional e inalterável da Maçonaria.
É exatamente esse privilégio que celebramos hoje, ao retribuirmos a honrosa visita da ARLS Clodomir Silva nº 1477 à ARLS Constâncio Vieira nº 3300, por ocasião da palestra do Ir.'. Cledson Cardoso.

Inestimáveis Irmãos, com muita gratidão, jamais esqueceremos a generosidade.
Notas de rodapé das Referências Bibliográficas
[1] CARR, Harry. O Ofício do Maçom: o guia definitivo para o trabalho maçônico. São Paulo: Madras, 2012. p. 48.
[2] ANÔNIMO. Três Batidas Distintas (Three Distinct Knocks). Londres: T. Hughes, 1760.
[3] ISMAIL, Kennyo. Breviário Maçônico do Século XXI. Brasília: No Esquadro, 2024. p. 148, 368.
[4] ISMAIL, Kennyo. Breviário Maçônico do Século XXI. Brasília: No Esquadro, 2024. p. 148, 368.
[5] PRICHARD, Samuel. Masonry Dissected. Londres: J. Wilford, 1730.
[6] ISMAIL, Kennyo. Breviário Maçônico do Século XXI. Brasília: No Esquadro, 2024. p. 148, 368.




Acredito que a Maçonaria perde a sua essência quando interpretamos os Rituais somente com bases históricas e de forma lógica. Existem muitos mais significados implícitos em seus Rituais, que devem ser vivenciados e sentidos e não somente "estudados". Só assim, deixaremos de relativizar as funções, símbolos e alegorias nos rituais ou, até mesmo, de promover alterações daquilo que não temos profundo conhecimento.
Meu querido e amado VM Jorge Gonçalves e demais obreiros da ARLS Constâncio Vieira nº 3300, do oriente de Aracaju/SE. Não foi sem emoção e alegria que pude participar de uma festiva noite de congraçamento com mais de 100 irmãos presentes à vossa Loja, quando tive a honra e o privilégio de conversar um pouco sobre “O futuro da maçonaria e a necessidade de melhoria no Tempo de Estudos”.
Mais emocionante, ainda, foi ter conhecimento que algumas lojas (como a ARLS Clodomir Silva nº 1477), abdicaram da realização de suas próprias sessões ordinárias, para estarem conosco naquele momento de estudo.
Foi através desse tipo de comportamento adotado pelos irmãos da ARLS Clodomir Silva nº 1477 que constatei que a maçonaria…