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ADONIRAM X HIRAM ABI NA CONSTRUÇÃO DO TEMPLO DE SALOMÃO

há 6 minutos
7 min de leitura

 

Por Denizart Silveira de Oliveira Filho



ADONIRAM X HIRAM ABI NA CONSTRUÇÃO DO TEMPLO DE SALOMÃO 

ADONIRAM X HIRAM ABI NA CONSTRUÇÃO DO TEMPLO DE SALOMÃO
Imagem ilustrativa gerada por IA

Adoniram

O personagem bíblico Adonirão, em hebraico Adoniram (אֲדֹנִירָם), é ligado à administração dos trabalhos públicos de Israel. É citado na Bíblia somente no Antigo Testamento, nos seguintes versículos: 2Samuel 20:24; 1Reis 4:6; 1Reis 5:14; 1Reis 12:18; e, 2Crônicas 10:18. Seu nome aparece também nas formas Adorão e Hadorão, conforme os diferentes textos e tradições manuscritas.

 

Em 2Samuel 20:24, a versão Almeida Revista e Atualizada (ARA) o apresenta como Adorão, responsável pelos que estavam sujeitos a trabalhos forçados. A Nova Versão Internacional (NVI), nesse mesmo versículo, emprega Adonirão e o identifica como chefe do trabalho forçado. Essa diferença demonstra uma importante variante textual, pois o Texto Massorético traz “Adorão”, enquanto manuscritos da Septuaginta apresentam “Adonirão”.

 

Durante o reinado de Salomão, Adonirão aparece novamente entre os altos funcionários da administração real, em 1Reis 4:6. Nesse texto, ele é identificado como filho de Abda e encarregado do sistema de trabalho obrigatório ou tributo. Sua função torna-se relevante quando Salomão empreende a construção do Templo em Jerusalém.

 

Em 1 Reis 5:8, Hirão (ou Hiram), rei de Tiro, responde positivamente ao pedido de Salomão para fornecer madeira destinada à construção. O versículo 5:13 informa que o rei Salomão organizou uma grande leva de trabalhadores dentre todo o Israel. Assim, o projeto do Templo envolveu não somente arquitetos, artesãos e materiais, mas também complexa organização administrativa. É nesse contexto que surge a importância de Adonirão como responsável pela organização da força de trabalho.

 

Em 1Reis 5:14, Salomão envia grupos de dez mil homens ao Líbano, em sistema de revezamento. O texto informa que cada grupo permanecia um mês no Líbano e dois meses em sua própria casa. A ARA declara que “Adonirão dirigia a leva”, enquanto a NVI afirma que ele chefiava o trabalho forçado. Portanto, Adonirão não aparece na Bíblia como arquiteto do Templo, mas como autoridade responsável pela organização dos trabalhadores. Sua atividade estava relacionada à gigantesca estrutura administrativa necessária para realizar a obra salomônica.

 

A construção do Templo exigia madeira, pedras, transporte, trabalhadores especializados e grande quantidade de mão de obra. 1Reis 5:8-14 apresenta, portanto, um sistema coordenado entre Salomão, Hiram, rei de Tiro, e os responsáveis pelos trabalhadores. Em 1Reis 5:14, Adonirão dirige a leva de trabalhadores enviados ao Líbano, nesse sistema, Adonirão ocupava uma posição de comando sobre a força de trabalho recrutada pelo reino. A tradição bíblica posterior mantém sua função durante diferentes períodos da monarquia, associando-o ao serviço obrigatório. Quando Roboão sucede Salomão, como rei de Israel, o sistema de trabalhos forçados torna-se uma das causas da insatisfação das tribos de Israel.

 

Em 1Reis 12:18, Roboão envia Adorão para lidar com o povo, mas ele é apedrejado e morre. O relato paralelo de 2Crônicas 10:18 apresenta o mesmo episódio e chama o personagem de Adonirão em algumas traduções.

 

A morte de Adonirão simboliza, no desenvolvimento da narrativa, a ruptura entre a monarquia davídica e as tribos do Norte. Assim, aquele que havia administrado os trabalhos do grande projeto de Salomão torna-se vítima da revolta contra o sistema de trabalho obrigatório.

 

Sob perspectiva histórica, Adonirão representa a dimensão administrativa e humana existente por trás da monumental construção do Templo. Sob perspectiva maçônica, sua figura pode ser relacionada ao princípio de que toda grande obra exige ordem, disciplina, coordenação e trabalho.

 

Entretanto, é necessário distinguir o Adonirão bíblico de interpretações maçônicas posteriores, pois a Escritura não o apresenta como arquiteto nem como Hiram Abi. Adonirão permanece, assim, como figura significativa da organização dos trabalhadores do Templo, unindo na narrativa bíblica trabalho, autoridade, construção e a posterior crise da monarquia.

 

Resumindo: (a) Em 2Samuel 20:24, Adorão ou Adonirão é referido como responsável pelos trabalhos forçados; (b) Em 1Reis 4:6, Adonirão, filho de Abda, é apresentado como responsável pelo tributo ou trabalho obrigatório; (c) Em 1Reis 5:14, Adonirão dirige a leva de trabalhadores enviados ao Líbano; (d) Em 1Reis 12:18, Adorão é enviado por Roboão e morto pelo povo; (e) Em 2Crônicas 10:18, há um relato paralelo da morte de Adonirão ou Adorão.

 

Hiram Abi

O personagem bíblico Hirão, em hebraico Hiram (חִירָם), também chamado Hirão-Abi ou Hiram Abi ou Hurão-Abi, em hebraico Huram-Abi (חוּרָם אָבִי), é apresentado como um extraordinário artífice ligado à construção do Templo de Salomão. É citado na Bíblia somente no Antigo Testamento, nos seguintes versículos: 1Reis 7:13; 1Reis 7:14; 1Reis 7:40; 1Reis 7:45; 1Reis 7:46; 1Reis 7:47; 2Crônicas 2:13; 2Crônicas 2:14; 2Crônicas 4:11; 2Crônicas 4:16. Ele não deve ser confundido com Hiram, rei de Tiro.

 

Seu nome aparece de modo particularmente significativo nos relatos de 1 Reis e 2 Crônicas, durante o período da grande obra realizada em Jerusalém.

 

Em 1Reis 7:13, Salomão manda buscar em Tiro um homem chamado Hirão, reconhecido por sua habilidade artesanal.

 

O versículo seguinte, 1Reis 7:14, apresenta Hirão como filho de uma viúva israelita e de um homem de Tiro, destacando sua competência profissional. A ARA afirma que ele era “cheio de sabedoria, entendimento e ciência”, qualidades fundamentais para a realização de sua obra. A NVI igualmente o apresenta como um artesão extremamente habilidoso, especialmente capacitado para trabalhar com bronze. Hirão não era, portanto, simples trabalhador, mas um mestre-artífice encarregado de executar trabalhos de grande complexidade artística e técnica. Sua atuação estava diretamente relacionada aos objetos e ornamentos utilizados no Templo construído por Salomão em Jerusalém.

 

Em 1Reis 7:40, o texto registra que Hirão terminou os trabalhos de bronze destinados à Casa do Senhor. Entre suas obras estavam recipientes, pás, bacias e numerosos utensílios empregados no serviço litúrgico do Templo. Em 1Reis 7:45, novamente são mencionados os utensílios de bronze realizados por Hirão para o rei Salomão. O relato demonstra que sua contribuição abrangia não apenas uma peça isolada, mas um vastíssimo conjunto de instrumentos e elementos destinados ao santuário.

 

Em 1Reis 7:46, a Bíblia informa que esses objetos foram fundidos na região do Jordão, entre Sucote e Zeredata. O local escolhido evidencia a dimensão industrial e organizada do empreendimento, envolvendo fundição, preparação de metais e produção especializada.

 

1Reis 7:47 ressalta a quantidade extraordinária dos objetos produzidos, cuja massa de bronze era tão grande que não foi calculada. O trabalho de Hirão revela, assim, a união entre conhecimento técnico, domínio dos materiais, precisão artesanal e organização de uma grande obra. O relato paralelo de 2Crônicas 2:13 identifica o artífice como Hurão-Abi e confirma sua extraordinária capacidade profissional.

 

Em 2Crônicas 2:14, sua especialização é ampliada, abrangendo ouro, prata, bronze, ferro, pedra, madeira e trabalhos ornamentais. O mesmo texto menciona sua habilidade em tecidos de púrpura, carmesim e linho, além da capacidade para realizar gravuras e projetos artísticos. Portanto, Hurão-Abi aparece como verdadeiro mestre das artes aplicadas à construção e à ornamentação do Templo. Em 2Crônicas 4:11, Hurão volta a ser mencionado na execução dos trabalhos de bronze relacionados à Casa de Deus.

 

Finalmente, 2Crônicas 4:16 atribui a Hurão-Abi a fabricação dos utensílios destinados ao Templo, conforme a ordem de Salomão. A Bíblia apresenta, desse modo, uma colaboração entre Salomão, os trabalhadores de Israel, os especialistas de Tiro e os demais artífices envolvidos na obra. Hirão-Abi ocupa nesse conjunto uma posição especial por representar o conhecimento técnico colocado a serviço de uma finalidade sagrada. Sua atividade também mostra que a construção do Templo exigiu não somente inspiração religiosa, mas planejamento, ciência, técnica, disciplina e domínio dos materiais.

 

Sob perspectiva simbólica, o artífice pode representar o homem que transforma a matéria bruta em uma obra ordenada, bela e destinada ao sagrado. Para uma leitura maçônica, sua figura pode ser relacionada ao princípio de que o conhecimento deve aperfeiçoar o indivíduo e ser colocado a serviço da construção. Entretanto, é necessário destacar que sob o personagem bíblico Hiram Abi, a Maçonaria criou uma Lenda extraordinária contendo ricos ensinamentos simbólicos de moral, ética e inúmeras outras virtudes, pois a Bíblia não relata sua morte ritual. Hirão-Abi permanece, no texto bíblico, como o grande artífice das obras do Templo, exemplo de sabedoria, habilidade, conhecimento e perfeição no trabalho. Sua figura simboliza, assim, a união entre ciência, arte, trabalho e espiritualidade na edificação da Casa de Deus e, simbolicamente, do próprio homem.

 

Algumas observações importantes se fazem necessárias. O relato mais detalhado sobre Hiram Abi está em 2Crônicas 2:13-14. Salomão pede ao rei Hiram de Tiro que lhe envie um artesão especializado para trabalhar na construção e ornamentação do Templo. O rei responde enviando Hurão-Abi, forma encontrada no texto de Crônicas. Ele é descrito como: (a) filho de uma mulher israelita, da tribo de Dã; (b) ele é de Tiro, isto é, pertencente ao ambiente artesanal fenício; (c) especialista em trabalhos de ouro, prata, bronze, ferro, pedra e madeira; (d) habilidoso em trabalhos de púrpura, carmesim e tecidos de linho; (e) capaz de realizar gravuras e projetos artísticos; (f) profissional apto a trabalhar juntamente com os artífices de Salomão.

 

Também aparece no relato de 1Reis 7:13-14, porém ali recebe o nome de Hirão. O texto diz que Salomão mandou buscar Hirão, de Tiro, filho de uma viúva da tribo de Naftali, embora seu pai fosse homem de Tiro. Há, portanto, uma aparente diferença entre 2Crônicas 2:13-14, que menciona sua mãe como israelita da tribo de Dã, e 1Reis 7:14, que a associa a Naftali. Essa questão é discutida pelos estudiosos e pode ser esclarecida examinando o hebraico, a Septuaginta e a Vulgata, podendo envolver diferenças de tradição textual ou genealogia.

 

Hiram Abi não foi um trabalhador comum. Era um artífice de alto nível, responsável por trabalhos artísticos e metalúrgicos de grande importância no Templo. 1Reis 7:40-47 atribui-lhe a fabricação de diversos objetos de bronze: as duas colunas; os capitéis das colunas; a pia de bronze, “Mar”; as bases; os lavatórios; e diversos outros utensílios. 1Reis 7:13-14, resume sua competência dizendo que ele era “cheio de sabedoria, entendimento e ciência para fazer toda obra de bronze”. Isso é muito significativo para uma leitura maçônica: Hiram Abi é o grande artífice especializado que participa materialmente da realização da obra de Salomão.

 

Resumindo: (a) Em 1Reis 7:13, Salomão manda buscar Hirão, de Tiro, para executar os trabalhos em bronze; (b) 1Reis 7:14, descreve sua filiação, sua origem e sua extraordinária habilidade como artífice; (c) 1Reis 7:40, identifica Hirão como aquele que concluiu os trabalhos de bronze para o Templo; (d) 1Reis 7:45, menciona novamente os utensílios que Hirão fez para Salomão; (e) 1Reis 7:46, descreve o local onde esses objetos foram fundidos, no vale do Jordão; (f) 1Reis 7:47, registra a enorme quantidade de utensílios produzidos, sem que seu peso fosse calculado; (g) 2Crônicas 2:13, apresenta Hurão-Abi, o artífice que o rei de Tiro enviaria a Salomão; (h) 2Crônicas 2:14; descreve suas competências: ouro, prata, bronze, ferro, pedra, madeira, tecidos, gravura e outros trabalhos artísticos; (i) 2Crônicas 4:11, menciona Hurão, que executou os trabalhos relacionados aos objetos de bronze; (j) 2Crônicas 4:16, declara que Hurão-Abi fez os utensílios destinados ao Templo por ordem de Salomão.

 

Rio de Janeiro, 10 de setembro de 2026.

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