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A HISTÓRIA DO RITO DE YORK

  • há 1 dia
  • 5 min de leitura

 Por Izautonio da Silva Machado Junior

 

A HISTÓRIA DO RITO DE YORK


A HISTÓRIA DO RITO DE YORK
Imagem ilustrativa gerada por IA

Uma lenda contida nos Antigos Deveres alega que a origem da Maçonaria remontaria à cidade de York, no Norte da Inglaterra, onde por volta do ano 600 d.C. teriam se organizado as primeiras guildas de pedreiros.

 

O Rei Athelstan, considerado o primeiro rei de “toda a Inglaterra” teria organizado reuniões de maçons desde o ano de 924 d.C., e que no ano de 926 d.C. teria havido uma assembleia de maçons na cidade de York, ocasião em que o Príncipe Edwin teria concedido uma carta constitutiva para a criação da primeira Grande Loja de maçons, tornando-se o seu primeiro Grão-Mestre.

 

Esta lenda consta no Poema Regius (1389), no Manuscrito Cooke (1583) e na Constituição de Anderson (1723), o que comprova que era bastante tradicional.

 

A lenda é incompatível com a historiografia oficial da Inglaterra. Nas datas citadas, York estava sob o domínio dos Vikings, que invadiram a cidade e a tomaram, ano de 866, tomando-a um importante porto fluvial. York permaneceu sob o domínio Viking até 954 d.C., quando o Rei Eadred unificou a Inglaterra.

 

Como dissemos, na Idade Média, era tradição que as corporações de ofício possuíssem lendas contando a respeito das origens nobres de sua existência. Assim é que a Lenda de York atribui à uma iniciativa régia a organização do ofício dos maçons.

 

O fato é que, desde que surgiram, as lojas maçônicas eram livres, não se submetendo a um poder central. Eram “maçons livres em lojas livres”. Com o surgimento, em 1717, da Grande Loja de Londres e Westminster, à qual se subordinaram algumas lojas maçônicas, muitas outras então existentes naquela região continuaram livres.

 

Resistentes à Grande Loja de Londres e não desejando se subordinar ao seu controle, maçons da cidade de York fundaram em 1725 uma outra Grande Loja, que se autoproclamou Grande Loja da Inglaterra. Esta cessou as suas atividades por volta de 1740.

 

Em 1751, maçons irlandeses, também descontentes com a Grande Loja de Londres, fundaram a “Grande Loja da Inglaterra de acordo com as Antigas Instituições”, a qual ficou conhecida como “Grande Loja dos Antigos” ou “Grande Loja de Atholl”, porque os Duques de Atholl a governavam.

 

Esta Grande Loja tornou-se rival da Grande Loja de Londres e a apelidou pejorativamente de “Grande Loja dos Modernos”, alegando que praticavam uma forma mais antiga e pura de Maçonaria, e acusando aquela de ter alterado as antigas tradições.

 

Dentre as diferenças formais existentes entre as Grandes Lojas dos Antigos e dos Modernos, citamos de forma resumida aquelas relacionadas por Alberto Moreno na obra “A origem dos graus maçônicos”:

§  inversão das Palavras de Aprendiz e Companheiro;

§  omissão das Preces;

§  descristianização dos rituais;

§  realização de festas em dias diferentes aos de São João;

§  diferenças no modo de preparação dos candidatos;

§  abreviamento dos rituais;

§  sobre a leitura dos Antigos Deveres em loja;

§  sobre o uso de espadas em loja;

§  prática da cerimônia esotérica de Instalação do Mestre da loja;

§  sobre a prática de graus colaterais;

§  inversão das Colunas B e J e a posição dos Vigilantes;

§  sobre a existência de Diáconos e Expertos;

§  sobre o uso do sinal Due Guard;

§  o uso de referências noaquitas;

§  sobre a explicação das ferramentas dos graus;

§  diferenças no Sinal de Socorro;

§  o status do Past Master na Grande Loja;

§  sobre a capacidade de identificar os sinais de reconhecimento;

§  sobre o uso de luvas brancas;

§  o uso de aventais por cima ou por dentro do casaco;

§  o uso de chapéu e manto roxo pelo Venerável Mestre;

§  sobre a prática do Arco Real.

 

Lawrence Dermott, que era Grande Secretário da Grande Loja dos Antigos, publicou, em 1756 a obra “Ahiman Rezon”, a Constituição dos Maçons Antigos, onde afirmava que eles deveriam ser chamados de “Maçons de York”, porque preservavam as antigas tradições da primeira Grande Loja da Inglaterra, reunida em York no ano de 926, pelo Príncipe Edwin.

 

No ano de 1761, foi reativada a Grande Loja de York, ligada à cidade de York, agora se autodenominando Grande Loja de toda a Inglaterra, a qual também criticava a Grande Loja de Londres por ter realizado muitas alterações.

 

Uma quarta Grande Loja surgiu em 1777, a partir de uma cisão da Grande Loja de Londres, comandada pelo maçom Willian Preston, que se aliou à Grande Loja de Toda a Inglaterra (de York), dando origem à “Grande Loja de Toda a Inglaterra ao Sul do Rio Trent”. Em 1788, esta nova potência retornou à Grande Loja de Londres (dos Modernos).

 

Willian Preston é o autor da obra “Illustrations Of Masonry” (1772), que serviu de base para o Monitor de Webb (1797), que foi fundamental na organização do Rito de York na América.

 

Na primeira década do século XIX, permaneciam ativas e vigorantes apenas as duas Grandes Lojas rivais, conhecidas como Antigos e Modernos, as quais, no ano de 1813, finalmente se uniram para dar origem à Grande Loja Unida da Inglaterra.

 

Durante o período em que aquelas Grandes Lojas coexistiram na Inglaterra, tanto eles como as Grandes Lojas da Irlanda e da Escócia constituíram lojas maçônicas na colônia — que depois veio a se tornar os Estados Unidos da América.

 

Por ocasião da Independência Americana, em 1776, por razões que serão explicadas, a prática ritualística dos Antigos prevaleceu sobre as dos Modernos naquele país.

 

Em 1797, nos Estados Unidos, Thomas Smith Webb organizou seu Monitor, inspirado no livro “Illustrations of Masonry, do inglês Willian Preston, e tendo como referência os rituais da Grande Loja dos Antigos.

 

O Monitor de Webb passou a ser considerado a pedra angular da liturgia e da organização da Maçonaria americana, e por esta razão os autores atribuem ao ano de 1797 o marco de origem do Rito de York, se bem que o sistema continuou se desenvolvendo ao longo dos anos, até chegar à sua configuração atual.

 

Em contrapartida, em 1813, na Inglaterra, a Grande Loja dos Antigos se uniu à Grande Loja dos Modernos dando origem à Grande Loja Unida da Inglaterra.

 

Como parte do Acordo de União, as duas Grandes Lojas aceitaram criar um sistema que contemplasse ambos as tradições. O resultado foi a organização de um ritual híbrido, com prevalência da tradição dos Modernos.

 

Como decorrência disso, o ritual dos Antigos praticamente desapareceu na Inglaterra, mas as suas práticas ficaram conservadas nos Estados Unidos da América.

 

Considera-se por isso que o Rito de York é o que mais se aproxima do Antigo Ofício e o que melhor preservou as tradições anteriores ao século XVIII.


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Fonte:

MACHADO JUNIOR, Izautonio da Silva. Introdução ao Rito de York: as blue lodges. 2ª edição. Porto Velho, RO: Imediata, 2026.

 

 

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