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MAÇONARIA NA FRANÇA: HISTÓRIA DO REAA

  • há 3 horas
  • 12 min de leitura

 

Por Luiz V. Cichoski


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MAÇONARIA NA FRANÇA: HISTÓRIA DO REAA


MAÇONARIA NA FRANÇA: HISTÓRIA DO REAA
Imagem ilustrativa gerada por IA 

Visto que a “questão da origem da Ordem, que já fez correr tanta tinta, e não foi ainda elucidada”, acaba nos levando a perceber a inexistência de, pelo menos, um evento seminal iniciador de nossa Instituição, mas, apesar disso, ainda podemos aceitar que a caminhada histórica da Maçonaria pode ser dividida em dois grandes estágios. O primeiro conhecido como Maçonaria Operativa e um segundo chamado de Maçonaria Especulativa — atualmente tem-se falado cada vez mais de uma Maçonaria Executiva/Corporativa[1],[2],[3],[4],[5]. Por outro lado, podemos dizer que a mudança do artesão profissional para o pensador especulativo foi caracterizada pela mudança de um ‘saber fazer’ técnico para um ‘saber pensar’, emoldurado no simbolismo e no filosofismo[6], também apresentado como Altos Graus, Graus Superiores ou Pirâmide Escocesa entre outros. Estes graus são uma contribuição da maçonaria francesa e caracterizam o que se denominou, deste o início, como escocismo[7], às vezes denominado por Rito Antigo e Aceito[8] e, mais tarde, como Rito Escocês Antigo e Aceito.

 

Refletindo sobre a história do movimento maçônico, constatamos que ao longo de muitos anos (séculos XIV ao XVIII)[9] — relativos à Maçonaria Operativa e de Transição[10] — praticamente havia um único grau: o de Companheiro. O aprendiz era um projeto, um interessado no domínio das técnicas da construção que deveria provar mérito para ser recebido na confraria e conhecer os segredos do ofício; portanto, o aprendizado não constituía verdadeiramente um grau, mas uma espécie de estágio probatório. Quanto ao mestrado, este não existia como grau, já que a função de mestre de obras era prioritariamente de cunho administrativo. Assim, o contingente maior das guildas era formado por parceiros, por Irmãos companheiros, que se reconheciam entre si, que tinham acesso aos segredos do ofício, o savoir faire[11], que constituíam uma verdadeira fraternidade. Esta ideia encontra ressonância em Le Forestier, citado por Aslan[12]: “Os talhadores de pedra só tinham uma classe, a dos Companheiros, já que os Aprendizes não faziam parte da Corporação...”. Porém, após a consolidação da Maçonaria Especulativa, a iniciação já se dava com o Aprendiz e, finalmente, a partir de 1725 tem-se uma nova visão do mestre, que agora deixa de ser o fiscal administrativo para se tornar um verdadeiro Grau Maçônico.

 

Evento significativo na história da Maçonaria ocorre em 1717, referimo-nos a realização do encontro das quatro Lojas londrinas[13], com a formalização da primeira Grande Loja, fato que serve de referência para uma nova fase dentro da caminhada evolutiva maçônica, qual seja, o estabelecimento da Maçonaria Especulativa (dos ‘aceitos’), muito embora se saiba que a transição operativa/especulativa tenha-se dado, paulatinamente, ao longo dos séculos XVI ao XVIII, transição esta determinada, entre outras causas, pelo declínio da escola gótica de arquitetura; uma consequente diminuição das encomendas de trabalhos (novas construções); o que determinou enormes  dificuldades financeiras às Lojas e aos Irmãos operativos; mas também pela fissura do catolicismo — 1517 e 1534 — com o aparecimento do protestantismo e do anglicanismo; sem contar as dificuldades sociais deste momento na Inglaterra que impulsionou o desenvolvimento de múltiplas sociedades vigilantes da manutenção dos costumes e das virtudes.[14]


Documentalmente temos o ‘Livro das Constituições de Anderson’[15], com primeira edição em 1723 e segunda edição em 1738[16], atestando esta mudança.

 

Nesta época, uma organização fraternal com as características da maçonaria especulativa existia apenas na Inglaterra; obviamente que corporações de construtores se desenvolveram em outros pontos da Europa, contudo a agremiação inglesa desenvolveu história e objetivos próprios, de tal sorte que a fonte do movimento maçônico como é hoje conhecido, originou-se na Grã-Bretanha, a partir dos eventos de 1717.

 

Quanto aos RITOS, podemos dizer que, na Inglaterra desta época havia apenas um Rito, o RITO DE YORK[17], funcionando em 3 graus, conforme o Ir.'. Castellani[18]: “O Verdadeiro Rito de York, que é o mais antigo da Maçonaria dos Aceitos (ou “Especulativos”), não possui Altos Graus, mas, ao sistema de Três Graus Simbólicos, é adicionado o Royal Arch (Arco Real), considerado pela Grande Loja Unida da Inglaterra[19], a Primaz do Rito, como uma extensão do Simbolismo e não um Alto Grau”, esta estruturação acabou denominada de “modernos” e alcançou a França; enquanto outra vertente vai ganhar a América Central e do Norte com a alcunha de “antigos”.[20]

 

O nosso tema — o desenvolvimento do escocismo —, por outro lado, liga-se ao desenvolvimento da maçonaria na França; e sobre este desenvolvimento podemos colocar alguns pontos.


Para G. Martin[21] as primeiras lojas francesas apareceram entre 1720 e 1730; enquanto a maçonaria como instituição de homens pensantes — os livres pensadores — desenvolveu-se a partir de 1730; sendo que sua origem, muito provavelmente, nas palavras do mencionado autor, prendia-se ao movimento maçônico inglês. Albert Lantoine tem a mesma opinião ao dizer: “não tenho nenhum testemunho decisivo a favor da existência da Franco-Maçonaria [na França] antes de 1725...”[22], [23]

 

Assim como no Brasil, a história das primeiras lojas é terreno fértil para posições diferentes. G. Martin[24] nos informa, a respeito da chegada da maçonaria na França, a existência de duas correntes[25] como possíveis matrizes da primeira loja francesa. Por um lado, existem os historiadores que reconhecem uma chegada da maçonaria anterior ao movimento inglês, ligando a emigração maçônica às lojas militares dos regimentos dos Stuarts.

 

Muitas pesquisas têm sido feitas para esclarecer a chegada desta Maçonaria na França. Muitos autores têm defendido a dupla descendência da instituição francesa, ou seja, antes e após 1717.


Evolução dos Ritos na Europa e América do Norte.
Gráfico 1 – Evolução dos Ritos na Europa e América do Norte[26]

A. Lantoine, partidário da origem stuartista da maçonaria francesa, questiona:

“As divergências de opinião destes autores mantêm indiscutíveis a existência de lojas anteriores à propaganda inglesa. E quais Irmãos poderiam havê-las formado senão os Escoceses e Irlandeses do séquito do Stuarts, cuja atividade maçônica reforçava a atividade profana[27]?”[28]

 

P. Naudon, por exemplo, descreve o início da Maçonaria na França com a seguinte informação:

“Autores franceses, apoiados na tradição e em sérios indícios, pensam que a primeira Franco-Maçonaria moderna implantada na França foi a Maçonaria escocesa stuartista e que tal introdução teria sido bem anterior a criação, em 1717, da Grande Loja de Londres. Ela seria concomitante à chegada dos Stuarts, refugiados em Saint-Germain-en-Laye, e dos regimentos formados por emigrados escoceses e irlandeses, que submeteram-se à sorte (do rei) e tentaram reconquistar-lhe o trono contra os Oranges e os Hanovres até o desastre de Culloden em 1746, passando pela capitulação de Limerick em 1689. Conforme o costume, estes regimentos manteriam lojas maçônicas, das quais podem ser observados traços e, em 1777, o Grande Oriente da França admitiu que a constituição da loja ligada ao regimento dos guardas da Royal Irlandais datava de 1688. Esta loja subsistiu, tornou-se civil, e tomou, em 1752, o nome de Parfaite Egalité[29].”[30]

 

Considerando as primeiras lojas francesas instaladas pelo sistema obediencial inglês, encontramos também aqui duas vertentes.  Para Clavel, “A primeira loja cujo estabelecimento é comprovado pela Grande Loja de Londres foi criada em Dunquerque, em 1721, sob o título de Amizade e Fraternidade[31].[32] A. Lontaine também comenta a existência desta loja, contudo dizendo que “O Grande Oriente [da França] ... não acedeu a esta pretensão...[33];.[34]

 

A outra corrente é a de Lalande, para quem:

“Seria difícil que este novo empreendimento inglês [a Maçonaria Obediencial] não chegasse até nós. Por volta de 1725, o Sr. Dervent Waters, o cavaleiro Maclean, Sr. Heguerty e alguns outros ingleses estabeleceram uma Loja em Paris, na rua dos Açougueiros, na casa de Hure negociador inglês; em menos de 10 anos a reputação desta loja atraiu 500 a 600 Irmãos para a Maçonaria, contribuindo para o estabelecimento de outras lojas; inicialmente a de Goustaud, lapidário inglês; posteriormente a de Breton, conhecida sob o nome de Loja de Louis d’Argent, uma vez que ela se reunia em um albergue com este nome...[35]”.[36],[37] 

 

Também, J. E. Daruty[38] segue o pensamento de Lalande dizendo que:

“Segundo nós, a primeira loja fundada em Paris, 1726, foi a Saint-Thomas au Louis d’Argent, que se reunia, inicialmente, na casa de Hure, na taberna do Louis d'Argent [King’s Head], posteriormente, por volta de 1732, na casa de Radcliffe, no hotel Bussy, na rua Bussy, e, por fim, entre 1835 e 1840, no albergue A la ville de Tonnere, rua dos Açougueiros, sendo esta loja aquela que a Grande Loja da Inglaterra constituiu em 3 de abril de 1732, e instalou em 20 de novembro seguinte.”[39] 

 

Sobre esta loja, A. Lontaine[40] complementa dizendo que a Loja Au Louis d’Argent, ou King’s Head (Cabeça do Rei), segundo Lalande, Clavel, Rangos, E. Daruty teria sido fundada em 1725 pelo Lord Derwentwater, o Cavaleiro Hector Macléan e o Irmão d’Haguerty, assistidos por outros ingleses refugiados na França. Eles se enganam, ....  a loja onde se associaram os Escoceses e Irlandeses deve ter sido a Saint Thomas, considerada por Gustav Bord como jacobita.  ... [a Loja] St. Thomas será considerada, por muito tempo, como a mais antiga loja francesa.  

 

C. Jaques, um autor mais recente, também comenta o início da Maçonaria na França[41]:

“Os princípios da Franco-Maçonaria francesa moderna são muito obscuros... é provavelmente em 1725 que emigrados jacobitas fundam uma ou várias lojas num albergue de Saint-Germain-des-Prés”. Estes dados são corroborados por Fernand Tourret[42], que comenta o fato da Maçonaria inglesa, “por via da Irlanda ... haver atingido a França”. Este acontecimento estaria atrelado ao deslocamento dos ‘Regimentos Irlandeses’ que serviam na França, sendo que por ação de “tais oficiais se deve (1726) a criação da primeira loja francesa: a Loja do Luís de Prata (Au Louis D’Argent).”

 

Enfim, com alguma similitude com o caso brasileiro, no qual alguns historiadores apontam lojas mineiras e nordestinas no século XVIII enquanto a primeira loja com registro é a União/Reunião de Niterói, 1800[43]; na França, A. Lantoine conclui seu estudo sobre a primeira loja dizendo:

“Em resumo nós não temos senão uma data precisa para a introdução da F.M. na França, é aquela na qual as patentes foram endereçadas Au Louis d’Argent rua des Boucheries pela Grande Loja da Inglaterra: 3 de abril de 1732[44].”[45]

 

Não só ‘Paris era uma festa’, parafraseando E. Hermingway, mas a chegada da Maçonaria também, segundo F. Tourret[46]: “A Maçonaria, desde que ficou conhecida, apareceu tão-somente como uma distração. Todo o mundo queria fazer parte dela. Aí se falava de filosofia, de literatura, ciências e até mesmo de melhoramentos sociais. Era um imenso salão da moda”!

 

Tal situação acabou por banalizar a Instituição, principalmente em seus graus iniciais — os simbólicos —; também o ímpeto inovador aliado ao exibicionismo, além de interesses pecuniários — os graus superiores eram vendidos aos interessados —, concorreram para o desenvolvimento de diversos Ritos e Graus; em meio a tudo isso, acredito também que Irmãos sérios tenham ingressado na Ordem, com objetivos mais elevados, com verdadeira vocação maçônica.

 

Por isso R. le Forestier[47] cita como possível razão para o desenvolvimento dos Altos Graus, “uma tentativa de reforma feita pelos maçons desejosos de regenerar sua sociedade tomada pela frivolidade e libertinagem[48].”

 

Uma maneira de enfrentar semelhante caos foi a organização de diferentes lojas, diferentes graus, diferentes Ritos. Sabe-se que “de 1726 a 1737[49], só existia, na França, o Sistema dos Três Graus Simbólicos. Somente a partir daí é que começaram a surgir os chamados Altos Graus”[50]. P. Naudon reforça esta cronologia comentando que os Altos Graus “aparecem timidamente ao redor de 1743, sob o termo de escoceses, eles não tardarão a se fusionar sob títulos os mais pomposos e em uma complexa hierarquia[51].”[52]  Vale lembrar que entre 1750 e 1780, nada menos de 44 diferentes Ritos foram desenvolvidos na França! Dados novos, curiosos e impactantes, sobre a origem dos diferentes graus superiores são encontrados na escola espanhola.[53],[54],[55]

 

É em algum momento deste interregno, 1736/1737, da história da Maçonaria na França, que aparece o Discurso de Ramsay, considerado como um dos Documentos Fundantes do Rito Escocês Antigo e Aceito.


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Notas de rodapé

[1] L. V. Cichoski e al. A Maçonaria do Século XVIII ou XXI? O Prumo, 221, maio/junho, 2015.

[2] L. V. Cichoski, Reflexão Conceitual, As Diferentes Maçonarias, O Prumo, 235, out/dez, 2017.

[3] L. V. Cichoski, Maçonaria Executiva, O Prumo, 253- novembro/dezembro, 2020.

[4] L. V. Cichoski, A Maçonaria e o Tempo, Revista CMI, nº5, ano 1, abril 2021.

[5] L. V. Cichoski, Maçonaria e sua Evolução, Uma Nova Fase, Antologia vol. AMCLA, inédito.

[6] Filosofismo – Lembramos que o Irmão José Castellani não era partidário da utilização deste neologismo que lhe trazia uma concepção negativa do termo.

[7] Escocismo — o mesmo José Castellani advogava a expressão ‘escocesismo’, também utilizado pelo Irmão Pedro Juk.

[8] “O Rito Antigo e Aceito, conhecido em quase todos os lugares fora do Reino Unido como Rito Escocês Antigo e Aceito.” Ver, Pick & Knight, The Pocket History of Freemasonry, Frederick Muller Ltd., 1953.

[9] X. Trolha e J. Castellani, O Mestre Secreto, Grau 4, Ed. Maçônica ‘A Trolha’, 2002.

[10] A. Mellor, Dicionário da Franco-Maçonaria e dos Franco-Maçons, Ed. Martins Fontes, 1989.

[11] Savoir faire, saber fazer, isto é, perícia, experiência, conhecimento, especialização.

[12] N. Aslan, Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia, v. II, Ed. Trolha, 2002. 

[13] R. F. Gould, As Quatro Lojas Antigas, Ed. Arcanum, 2018.

[14] L. V. Cichoski, Fundamentos Maçônicos, Histórias e Lendas, inédito.

[15] J. Anderson, As Constituições de Anderson, trad. Valton Tempski-Silka, Ed. Juruá, 2000.

[16] A. Peters, O Manuscrito Régio e o Livro das Constituições, Ed. Maçônica ‘A Trolha’, 1997.

[17] A denominação RITO de YORK pode trazer confusão e dificuldade de entendimento visto que o uso de Castellani nesta citação tem um sentido correto e estrito; mas o termo YORK também denomina um Rito praticado na América do Norte, cujo detalhamento está no Monitor dos Franco-Maçons de Thomas S. Webb.

[18] X. Trolha e J. Castellani, O Mestre Secreto, Grau 4, Ed. Maçônica ‘A Trolha’, 2002.

[19] Ao mencionarmos a Grande Loja Unida da Inglaterra, temporalmente, estamos em 1813, ou seja, quase um século após os eventos fundantes de 1717 e da publicação de Anderson, 1723.

[20] L. V. Cichoski & P. P. Rodrigues, Síntese Histórica da Ritualística do Rito Escocês Antigo e Aceito, Ed. A Trolha, 2022.

[21] G. Martin, Manuel d’Histoire de la Franc-Maçonnarei Française, 2ème Ed.  PUF, 1932.

[22] Texto Original: ‘‘Nous n’avons aucun témoignage décisif en faveur de l’existence de la Franc-Maçonnerie avant 1725...’’ .

[23] A. Lantoine, Histoire de la Franc-Maçonnerie Française, La F-M Chez Elle, Ed. E. Nourry, 1925.

[24] G. Martin, Manuel d’Histoire de la Franc-Maçonnarei Française, 2ème Ed.  PUF, 1932.

[25] Texto Original: “Mais sur cette naissanced même, les commentateurs  hésitent entre deux traditions divergentes.’’

[26] Agradeço ao Irmão Fábio Gialdi a composição do quadro explicativo.

[27] Texto Original : ‘‘Les divergences d’opinions de ces auteurs ne font pas que l’existence de loges antérieures à la propagande anglais ne demeure indiscutable. Et quels frères pourraient les avoir formées sinon ces Ecossais et Irlandais de la suite des Stuarts, dont l’activité maçonnique renforçait l’activité profane?’’

[28] A. Lontaine, Le Rite Écossais Ancien et Accepté, Émile Nourry, Ed., 1930.

[29] Texto Original: ‘‘Des autores français, appuyés sur la tradition et sur des indices sérieux, pensent que la première Franc-Maçonnerie moderne implantée en France a été la Maçonnerie écossaise stuartste et que cette introduction serait bien antérieure à la creátion, en 1717, de lal Grande Loge de Londres. Elle serait concomitante à l’arrivée des Stuarts, réfugiés à Saint-Germain-en-Laye, et des régiments formés par des émigrés écossais et irlandais, qui suivirent leur fortune et tentèrent de leur rendre le trône de Grande-Bretagne contre les Orange et les Hanovre jusqu’au désastre de Culloden en 1746, en passant par la capitulation de Limerick en 1689. Selon la coutume, ces régiments auraient eu des loges maçonniques, dont on peut observer les traces, en 1777, le Grand Orient de France admit que la constitition de la loge attachée au régiment des gardes Royal Irlandais datait de 1688. Cette loge subsista; deveneue civile, elle prit en 1752, le nom Parfaite Egalité.’’

[30] P. Naudon, Histoire Générale de la Franc-Maçonnerie, PUF, 1981.

[31] Texto Original: ‘‘La première loge dont l’établissement en France soit historiquement prouvé est celle que la Grande-Loge de Londres institua à Dunkerque, en 1721, sous le titre de l ‘Amitié et la Fraternité.’’

[32] F. T. B. Clavel, Histoire Pittoresque de la Franc-Maçonnerie et des Sociétés Secrètes, Ed. Pagnrre,1843.

[33] Texto Original: ‘‘Le Grand Orient, ..., n’a pas accédé à cette prétention...’’.

[34] A. Lontaine, Le Rite Écossais Ancien et Accepté, Émile Nourry, Ed., 1930.

[35] Texto Original: ‘‘Il étoit difficile que ce nouvel empressement des Anglois pour la Maçonnerie ne s’étendit pas jusqu’à nous. Vers l’anné 1725, Mylord Dervent Waters, le Chevalier Maskelyne, Mr. D’Heguerty, & quelques autres Anglois, établirent une Loge à Paris, rue des Boucheries, chez Hure traiteur Anglis; en moins de 10 ans, la réputation de cette Loge attira 5 ou 600 Fréres dans la Maçonnerie, & fit établir d’autres loges; d’abord celle de Goustaud, lapidaire Anglois; ensuite celle de Le Breton, connue sous le nom de Loge de Louis d’Argent, parce qu’elle se tenoit dans une auberge de ce nom...’’.  (mantida grafia original)

[36] J. F. de Lalande, Abrege de L’Histoire de la Franche-Maçonnerie, 1783.

[37] A. Lantoine, Histoire de la Franc-Maçonnerie Française, La F-M Chez Elle, Ed. E. Nourry, 1925.

[38] J. E. Daruty, Recherces sur le Rite Ecossais Ancient et Accepté, Chez le F. Panisset, 1879.

[39] Texto Original: Selon nous, la première loge fondée à Paris, 1726, est celle de Saint-Thomas au Louis d'Argent, se réunissant d'abord chez Hure, à la taverne do. Louis d'Argent (King’s. Head), plus tard, vers 1732, chez Landclle, à l'hôtel de Bussy, rue de Bussy, et enfin, entre 1835 et 1840, à l'auberge A la ville de Tonnerre, rue des Boucheries, et c'est bien elle que la Grande Loge d'Angleterre a constituée le 3 Avril 1732 et fait installer le 20 Novembre suivant.’’

[40] A. Lontaine, Le Rite Écossais Ancien et Accepté, Émile Nourry, Ed., 1930.

[41] C. Jacq, A Franco-Maçonaria, História e Iniciação, Ed. Difel, 1977.

[42] F. Tourret, Chaves da Franco-Maçonaria, Zahar Editores, 1975.

[43] K. Prober, Cadastro Geral das Lojas Maçônicas do Brasil, edição do autor, 1975.

[44] Texto Original: ‘‘En résumé nous n’avons qu’ine date précise pour l’introduction de la F.M. en France, c’est celle où les patentes furent adressées Au Louis d’Argent rue des Boucheries par la Grande Loge d’Anglaterre : le 3 avril 1732.’’

[45] A. Lantoine, Histoire de la Franc-Maçonnerie Française, La F-M Chez Elle, Ed. E.Nourry, 1925.

[46] F. Tourret, Chaves da Franco-Maçonaria, Zahar Editores, 1975.

[47] R. le Forestier, Les Plus Secrets Mystères des Hauts Grades de la Maçonnerie Dévoilé, Arché, 2011.

[48] Texto Original: “... une tentative de reforme faite par des Maçons désireux de régénérer leur Société tombée dans la frivolité et le libertinage.’’

[49] Ou seja, 20 anos após a reunião da Grande Loja de Londres e 11 anos após a introdução da Maçonaria da França.

[50] X. Trolha e J. Castellani, O Mestre Secreto, Grau 4, Ed. ‘A Trolha’, 2002.

[51] Texto Original: “Apparus timidement vers 1743 sous le terme d’écossais, ils ne tradèrent pas à foisonner sous des titres pompeux et des hiérarchies complexes.’’

[52] P. Naudon, Histoire, Rituels et Tuileur des Hauts Grades Maçonniques, 4ª Ed., Dervy-Livres, 1984.

[53] M. R. Castillejos, Los Ritos Masónicos, 3ª Edición, Masonica.es, 2015.

[54] A. M. Moreno, El Origen de los Grados Masónicos, 2ª Edición, 2018.

[55] A. M. Moreno, Maestro Secreto, Maestro Perfecto, Masonica.es, 2024.

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